Usineiro é encontrado morto em Pirassununga

Polícia investiga se vítima foi assassinada ou se houve roubo seguido de morte

Solange Spigliatti e Brás Henrique, estadao.com.br e O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2009 | 12h51

Um usineiro foi encontrado morto no começo da manhã desta quarta-feira, 18, em Pirassununga, no interior de São Paulo. O corpo de Flavio Daniel Baldin, de 34 anos, foi encontrado numa estrada de terra, ao lado de um canavial próximo à Rodovia SP-225, que liga Pirassununga a Aguaí. Ele era um dos sócios da Baldin Bioenergia S.A., de Pirassununga, que produz açúcar e álcool hidratado e se prepara para produzir energia a partir do bagaço da cana a partir de 2010.   Daniel, como era conhecido na empresa, onde era diretor-executivo, foi encontrado dentro de seu veículo, um Ecosport, atingido por tiros. Ele tinha saído de casa por volta de 23 horas de terça. A Polícia Civil investiga o caso, mas ainda sem suspeitos. O corpo de Daniel será sepultado nesta quarta-feira, 19.   Um trabalhador da redondeza encontrou o veículo com os faróis ligados por volta de 6 horas e avisou um sitiante, que acionou a Polícia Militar. Dentro do veículo foi encontrado o corpo de Daniel Baldin, sem a carteira e o telefone celular. Por isso, inicialmente o caso indica um possível latrocínio. Na véspera, após chegar da aula de engenharia civil, que cursava em São Carlos, o empresário disse à mulher Josilene que iria à usina, como era seu costume, já que a empresa funciona durante 24 horas. E saiu por volta de 23 horas.   O delegado do 1.º DP de Pirassununga, Maurício Miranda de Queiroz, disse que não descarta nenhuma linha de investigação, embora inicie a investigação como latrocínio. "Estou tentando construir uma situação familiar e empresarial para verificar se ocorreu alguma briga ou desentendimento que pudesse levar ao crime", comentou Queiroz. "O que mais chocou as pessoas da empresa é que o Daniel não tinha problemas nem com funcionários, por isso de nada sabemos", informou o gerente financeiro da empresa, Paulo Roberto Caltran. Os diretores e a família esperam a investigação policial para desvendar o crime.   Daniel Baldin foi atingido na cabeça e no corpo, mas o delegado não soube informar quantos disparos foram feitos nem quais os órgãos atingidos. Isso só será possível quando tiver o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) de Limeira em mãos.   A Baldin Bioenergia S.A., de capital fechado, tem esse nome desde maio de 2008 (antes se chamava Irmãos Baldin e Cia. Ltda.), quando adotou um processo de profissionalização. Três holdings (33,3% cada) administram a empresa, que tem Luís Fernando Baldin, primo de Daniel, como o responsável pela operação. Duas das holdings são controladas por primos de Daniel e outra pelo irmão dele, Fabiano Rogério Baldin. O outro irmão do usineiro assassinado, Luciano Augusto, não atua na empresa. Daniel era o mais velho dos três e deixa uma filha de 4 anos.   A Baldin teve, em 2008 (quando moeu 800 mil toneladas de cana), faturamento de R$ 54 milhões e espera dobrar isso na próxima safra. Para este ano, com 550 funcionários, a meta da empresa é moer 1,2 milhão de toneladas de cana e produzir 18 milhões de litros de álcool hidratado e 2,5 milhões de sacas de açúcar. A cogeração de energia, em parceria com a CPFL Bioenergia, começará em 2010 (começando a gerar 25 MW excedentes para venda no mercado livre). A parceria investirá R$ 100 milhões (50% cada). Será o primeiro investimento da CPFL na cogeração, pois desde 1987 ela só compra a produção excedente das usinas.   Atualizado às 18h49 para acréscimo de informações.

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