Urubus invadem lago do parque do Ibirapuera

Aves se alimentam de restos de comida e lixo; Prefeitura diz que elas são da 'fauna nativa'Visitantes. Prefeitura diz que urubus frequentam o parque para dormir em eucaliptos

Cristiane Bomfim, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

O lixo carregado pelo Córrego do Sapateiro, restos de comida de frequentadores e todo tipo de material jogado nas margens do lago do Parque do Ibirapuera, na zona sul, têm atraído urubus, que disputam alimento com garças, mergulhões e patos. Ontem, no período em que a reportagem esteve no parque, havia seis.

A administradora de empresas Debora Gomes, de 27 anos, passeava com o sobrinho pequeno quando foi surpreendida pela exaltação do menino: "Isso é um urubu? Vou tentar pegar", disse o garoto. A tia o advertiu: "Não chegue perto. Esse bicho é sujo." Para Debora, os urubus reforçam a impressão de que o Ibirapuera está mais sujo do que o normal. "E o cheiro de esgoto está forte", afirma.

Funcionários do parque dizem que não é de hoje que os urubus estão circulando por ali. "Já faz um tempinho. Eles comem os peixes que morrem, mas acho que a imundície do lago tem contribuído muito para o aumento deles por aqui", disse um deles, que não quis identificar-se.

O ornitólogo Johan Dalgas Frisch, presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem, diz que os urubus se alimentam de todo o tipo de carne e não atacam o homem. Também não transmitem doenças. "A não ser que eles tenham se alimentado de um boi que morreu de febre aftosa, não há perigo."

Segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, os urubus "pertencem à fauna silvestre nativa e frequentam o parque para usar os eucaliptos como dormitório". A limpeza do trecho mais movimentado do lago é feita diariamente. São retirados 500 quilos de lixo do local por semana. Segundo a Sabesp, o córrego foi despoluído, em um investimento superior a R$ 21 milhões.

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