Paulo Liebert/AE
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Urubus deverão sair da Bienal de SP

Justiça indeferiu pedido da fundação para manter espécie silvestre em obra exposta

Solange Spigliatti, Central de Notícias

07 de outubro de 2010 | 16h30

SÃO PAULO - Em decisão da Justiça Federal de São Paulo desta quinta-feira, 7, foi indeferido o pedido da Fundação Bienal de São Paulo para manter os pássaros da espécie urubu-de-cabeça-amarela em uma das obras expostas na 29ª Bienal de São Paulo.

 

Segundo a Justiça, o juiz federal substituto Eurico Zecchin Maiolino, da 13ª Vara Cível Federal, lembra que os animais expostos fazem parte de uma espécie silvestre e são provenientes do Parque dos Falcões, criadouro conservacionista. Atualmente, estão instalados na Bienal e pretende-se que sejam mantidos lá até 12 de dezembro - último dia de exposição - em local que em nada se assemelha a seu habitat, por mais que se pretenda reproduzi-lo.

 

Em sua decisão, o juiz diz que a Constituição Federal prevê expressamente a proteção do meio ambiente em diversos dispositivos, dentre eles o que impõe ao Poder Público o dever de "proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade."

 

A Bienal havia pedido a antecipação da tutela em ação ordinária ajuizada em face do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visando à suspensão da notificação que determinou a retirada imediata das aves que fazem parte da exposição.

 

Em seu pedido, a Bienal relatou que, em razão de denúncias de possíveis maus tratos aos pássaros, o Ibama realizou vistoria no local e solicitou a apresentação de diversos documentos, que foram entregues em 28 de setembro. A Bienal alegou "o direito à livre manifestação artística, além de não existir prova de maus tratos dos animais expostos."

 

Para o juiz, tratando-se de proteção ao meio ambiente, não há que se falar em direito adquirido. "Portanto, mesmo após a concessão de autorização, o Poder Público está autorizado a intervir e rever o ato administrativo diante da constatação de qualquer irregularidade, mormente diante do caráter precário de que se reveste a licença ambiental autorizatória".

 

De acordo com a decisão, apesar da ausência de comprovação de maus tratos conforme disse a Bienal, em se tratando de discussão relativa à questão ambiental o princípio que deve prevalecer é o da precaução, norteador da tutela do meio ambiente.

 

Quanto ao prejuízo da liberdade de manifestação artística, Eurico Maiolino diz que a evolução legislativa moderna na qual se insere a Constituição repudia de forma veemente a prevalência do interesse privado sobre o interesse público, especialmente quando a divergência envolva direito constitucional indisponível, como é o caso do meio ambiente.

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