Universitários de classe média são presos por sequestros relâmpagos no Brooklin

Entre os detidos também está a mãe de um dos acusados, que, segundo a polícia, recebeu do filho um Honda Fit com placas clonadas

Camilla Haddad, de O Estado de S.Paulo

30 Julho 2012 | 22h37

De dia, eram vistos como universitários estudiosos, faziam estágio em escritórios de grandes empresas e mantinham uma vida acima de qualquer suspeita. À noite, praticavam sequestros relâmpagos no Brooklin, na zona sul da capital paulista. Esse é o perfil de uma quadrilha que a polícia prendeu, acusada de praticar mais de 40 sequestros naquela região neste ano.

 

Um dos suspeitos é funcionário de uma empresa de advocacia quase vizinha do 96.º Distrito Policial (Brooklin). Ao todo, estão detidos sete jovens, com idade entre 18 e 21 anos. Outros nove estão sendo procurados, com pedidos de prisão já decretados pela Justiça. Segundo o delegado titular do 96.º DP, Eduardo Camargo Lima, pelo menos quatro estão matriculados em universidades tradicionais da capital, em cursos como Administração de Empresas e Engenharia. Também tinham um padrão de vida de classe média. Na maioria dos casos, os pais pagavam a faculdade e alguns deles tinham carros novos.

 

"São moradores da zona sul. Um deles, de Santo Amaro, tinha a casa toda cercada por sistema de câmeras e os pais não acreditavam que o filho poderia estar envolvido em um crime", contou o delegado. Lima explicou que a investigação ganhou força em abril, com a prisão do estudante Bruno Rodrigues Guedes de Jesus, de 19 anos, que seria o chefe do bando e é apontado como coordenador de 19 sequestros relâmpagos no bairro desde janeiro. Jesus continua preso.

 

Foi a partir dele que investigadores chegaram até Vitor Mendes de Lima, de 20 anos, Lucas Fernandes, de 18, Michael Douglas, de 19, Raphael Guilherme dos Santos, de 21, Temístocles de Souza Oliveira, de 21, e William Santos Goes, de 21. O grupo agia após as 18h, quando eles saíam do trabalho. O alvo preferido eram mulheres - segundo a polícia, teriam menos chances de reagir.

 

Assim que abordavam as vítimas, os criminosos usavam uma arma. Batiam no vidro e seguiam com a pessoa por ruas do bairro, enquanto outra parte da quadrilha, em outro carro, era responsável pelos saques e compras em shopping. Em uma das ocorrências, os criminosos gastaram R$ 7 mil em compras.

 

Os itens escolhidos eram sempre roupas e tênis de grife. Houve casos em que a quadrilha gastou em uma hora R$ 600 em compras em um mercado da região. Na lista de produtos aparecem energéticos e uísques. "Quando não eram compras, eles usavam o dinheiro do saque para alugar casas de praia para fazer festas", comenta o delegado Lima. Depois de circular com as vítimas, a quadrilha as abandonava na Marginal do Pinheiros, próximo das Pontes do Morumbi e João Dias.

 

Mãe presa. Entre os detidos está uma mulher identificada como Fabiana, que seria mãe de um dos rapazes procurados. Segundo a polícia, ela teria recebido um Honda Fit do filho e continuado com o carro. O veículo era um carro clonado. Ela vai responder em liberdade.

 

Com exceção de um dos acusados, os advogados não foram localizados. A quadrilha foi reconhecida pelas vítimas por fotos em 30 casos.

Os acusados:

Vitor Mendes Rodrigues de Lima, de 20 anos

Segundo a polícia, cursava 3º ano de Engenharia na Anhembi-Morumbi e era estagiário da Camargo Correa - procurada pela reportagem, a empresa negou. O preso frequentava casas noturnas da zona sul da cidade. Foi preso por investigadores na frente do local de trabalho, na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini.

Lucas Fernandes, de 18 anos

Segundo a polícia, era estagiário no escritório de advocacia Miguel Neto - o escritório informou ontem que não podia confirmar a informação. Mora no Jardim Macedônia, na zona sul.

Michael Douglas, de 19 anos

Segundo a polícia, ele estava fazendo Administração de Empresas na Unip. Teve prisão preventiva decretada. Mora no Parque Regina, na zona sul.

Temístocles de Souza, de 21 anos

Morador do Parque Arariba. Segundo a Polícia Civil, era estudante de Mecatrônica na Unip e permanece internado - foi baleado na hora da detenção.

Raphael Guilherme dos Santos, de 21 anos

Estava trabalhando em um escritório da região do Brooklin, na zona sul.

William Santos Gois, de 21 anos

Foi preso juntamente com Temístocles em 18 de julho.

Bruno Rodrigues Guedes, de 19 anos

Estudante, foi preso em abril deste ano por policiais civis do Brooklin. Investigadores afirmam que ele liderou pelo menos 19 casos de sequestros relâmpagos na região.

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