Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Universidades se blindam contra crime

Enquanto USP discute segurança, Unesp e Unicamp ampliam parceria com PM; UFRJ tem vigias armados e UFPE, câmeras com som

William Cardoso, Fábio Mazzitelli, Vannildo Mendes, Alfredo Junqueira e Ângela Lacerda, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2011 | 00h00

Câmeras de vigilância, catracas, seguranças à paisana e, em alguns casos, policiamento armado já fazem parte da rotina de universidades públicas e privadas. A "blindagem" dos câmpus começou antes mesmo da morte do estudante da Universidade de São Paulo (USP) Felipe Ramos de Paiva - assassinado na quarta-feira no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - e agora tende a se intensificar.

As outras duas universidades estaduais de São Paulo, a de Campinas (Unicamp) e a Paulista (Unesp), já adotam medidas de segurança ainda consideradas tabu na USP. Ambas contam com vigilância da PM e, em breve, podem ter circuitos de câmeras integrados aos sistemas de segurança pública do Estado.

Na Unicamp, foram gastos R$ 3 milhões para instalar 240 câmeras. A novidade pode ser a recepção das imagens por um monitor dentro do 7.º DP de Campinas. "Foi minha sugestão", diz o delegado Tadeu Brito Almeida. Ele relata que já existe contato online com a universidade. "Antes mesmo de se fazer o BO, recebo um e-mail sobre o que houve."

Almeida afirma que a parceria com a Unicamp fez o número de furtos e roubos cair 80% nos últimos dois anos. Ele orientou a colocação de caixas eletrônicos apenas na zona bancária do câmpus e procurou se aproximar dos alunos, alertando os que vêm de cidades pequenas sobre como se portar em Campinas. A PM também passou a fazer rondas no local. Procurada, a universidade preferiu não se manifestar.

Já na Unesp, o câmpus de Bauru conta com policiamento da PM há seis meses. Há ainda uma base policial 200 metros distante do local. O diretor da Faculdade de Engenharia, Jair Wagner de Souza Manfrinato, propôs um projeto que deve tornar a vigilância mais efetiva nos câmpus da instituição: câmeras com software que reconhecem placas de veículos. Os dados seriam repassados a bancos de dados de órgãos de segurança, que poderiam checar se o carro é roubado.

Enquanto a tecnologia não é aplicada, a Unesp em Bauru tem caixas eletrônicos desligados nos fins de semana. Já no câmpus de Rio Claro, eles foram retirados após onda de assaltos.

Na capital paulista, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tem projeto para instalar catracas e base da PM nas proximidades do câmpus da Vila Clementino, na zona sul, por onde circulam 30 mil pessoas por dia.

Outros Estados. A Universidade de Brasília (UnB) está investindo R$ 1,3 milhão em um sistema de câmeras para conter, sobretudo, o roubo de veículos. Esse "big brother" é um dos reforços na segurança do câmpus de quase 4 milhões de m². A UnB nunca registrou mortes, mas já foi alvo de estupros, sequestros e roubos à mão armada.

Um batalhão da PM está há mais de dez anos no câmpus. Porém, em 2010 o número de ocorrências quase dobrou, chegando a 30 ao mês. A PM estima que mais de 90% delas se referem a roubo no interior de veículos - toca-fitas, bolsas, estepes e outros objetos. Neste ano, foi aberta concorrência para compra das primeiras 15 câmeras.

A estratégia já é adotada no Recife. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) terá 240 novas câmeras neste ano no câmpus e também no entorno. A UFPE já conta com 32 câmeras com som, que permitem avisar alunos em situação de risco.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), seis viaturas da PM já fazem policiamento e foi sugerido crescer o efetivo, para complementar o trabalho de cem vigilantes armados na Ilha do Fundão. Na Universidade do Estado do Rio (UERJ) são 160 homens.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.