'Universidade não é local de balada', diz diretor da Poli

'Universidade não é local de balada', diz diretor da Poli

Diretor proibiu novas festas do grêmio no campus da capital; jovem foi encontrado morto após participar de festa no final de semana

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 15h39

Atualizada às 22h58

SÃO PAULO - O diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), José Roberto Castilho Piqueira, emitiu comunicado nesta quarta-feira, 24, proibindo em caráter permanente a realização de festas pelo Grêmio Politécnico na cidade universitária, na zona oeste. As autorizações de festas já emitidas foram canceladas. Em nota, a universidade informou que o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) também suspendeu temporariamente a realização de eventos no velódromo.

“Universidade não é local de balada, de bebida e de festa. É local de livros, aulas, ensino, pesquisa e extensão”, disse Piqueira ao Estado. O anúncio foi feito um dia após o corpo do estudante Victor Hugo Santos, de 20 anos, ter sido encontrado na raia olímpica da universidade. Ele havia participado da festa em comemoração aos 111 anos do grêmio, realizada no velódromo do câmpus, a 100 metros da raia, na noite de sexta-feira.


“Nosso objetivo é preservar as pessoas e o patrimônio. Meu pensamento nesse sentido é antigo, mas o que aconteceu no fim de semana acelerou essa decisão”, afirmou Piqueira. Ele esclareceu que a proibição é válida apenas para o grêmio e para eventos no interior do câmpus.

Na manhã desta quarta, a prefeitura do câmpus e a guarda universitária se reuniram para debater decisões similares. Foi informado que as festas estão suspensas temporariamente no velódromo, independentemente da entidade que as organize. 

Em nota, a USP lamentou a morte de Victor e reiterou que “está discutindo a adoção de medidas para que casos como esse não voltem a ocorrer.”

O presidente do Grêmio Politécnico, André Simmonds, disse ter recebido o comunicado de forma positiva. “Não passa pela nossa cabeça fazer nenhuma festa agora, depois do que aconteceu.” Segundo ele, eventos similares ao do fim de semana, que reuniu 5 mil pessoas, costumavam ocorrer uma ou duas vezes por semestre. 

Enterro. Victor foi sepultado na manhã desta quarta em um cemitério de Jandira, na região metropolitana de São Paulo. Emocionados, os pais do jovem acompanharam o velório e o cortejo amparados por parentes. Segundo relato de familiares e advogado, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) não havia fornecido informações conclusivas sobre o que causou a morte do estudante. 


De acordo com o boletim de ocorrência registradona terça, o corpo do estudante apresentava marcas que indicam que ele pode ter sido arrastado no chão antes de chegar à água. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga a morte, informou que o estudante tinha duas marcas de ferimento: um hematoma no olho direito e um corte no lábio. Para a polícia, no entanto, nenhum desses ferimentos aparenta ser a causa da morte. O corpo também não tinha sinais aparentes de afogamento, apesar de ter sido encontrado no interior da raia.

De acordo com o advogado da família, Marcelo Costa, não foi possível emitir nenhuma conclusão a partir do laudo de exame necroscópico do IML. Exames complementares foram solicitados pela polícia e devem levar até 30 dias para serem entregues. 

Ainda não se sabe o que teria feito Victor ir à raia olímpica ou ser levado até lá por alguém. / COLABOROU MÔNICA REOLOM

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