Universidade alega que situação atual é 'transitória'

Vice-Reitoria espera que melhoria do cenário econômico traga mais receitas, mas admite racionalizar despesas

Bruno Paes Manso e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2013 | 02h03

A USP argumenta que, embora elevado, o comprometimento de gasto com pessoal é transitório. Segundo a universidade, os dados de outubro incluem valores pagos em caráter excepcional, classificados como reenquadramento de carreira dos servidores, e sem os quais o porcentual cai para 97%.

Em janeiro, quando o Estado revelou que gastos com pessoal já engessavam 93% dos recursos, a USP também argumentou que a situação era transitória. Questionada novamente sobre a razão dessa avaliação, a instituição concorda que a situação exige racionalização de despesas e o cenário depende dos rumos da economia. "É esperado que a economia brasileira retome uma taxa de crescimento mais robusta e, assim, a universidade possa equacionar o descompasso entre receitas e despesas. Nesse ínterim, as reservas da universidade, complementadas por outras políticas de racionalização das despesas, garantirão a manutenção das atividades da universidade", argumenta, em nota assinada pela Vice-Reitoria Executiva de Administração da USP.

A atual gestão foi uma das que mais investiram na estrutura física da USP. Duas obras importantes são o Centro de Convenções e o Parque dos Museus - para receber o acervo das Faculdades de Zoologia e Arqueologia. Também foi concluída a Biblioteca Brasileira e começou a ser instalado novo sistema de iluminação no câmpus de São Paulo. A escuridão na Cidade Universitária era apontada pela polícia como uma das causas da alta incidência de roubos na região.

Outras. Unicamp e Unesp já tiveram gastos com pessoal em proporções maiores que os da USP, mas em 2013 estão em situação melhor. As três instituições paulistas dividem um repasse fixo do ICMS - a maior fatia fica com a USP, a maior universidade do País.

A diretriz orçamentária da Unesp mostrava no ano passado que, de um orçamento de R$ 2,29 bilhões, 76% estariam reservados para pessoal. Em outubro deste ano, o comprometimento é de 89,24%

Na Unicamp, a previsão era de 84%, diante de um orçamento de R$ 1,91 bilhão. Até outubro, o porcentual ficou em 93,16% - também alto.

Segundo o ex-reitor da USP Roberto Leal Lobo e Silva Filho, que também faz consultoria para o ensino superior, as instituições particulares de ponta traçam um teto de até 70% com salários. "Ótima instituição de ponta, como a de Caxias do Sul, tem um limite de 60% e é uma das melhores particulares do País. Por que não é quanto gasta, mas, sim, gastar bem." Mesmo ressaltando a existência de outras fontes de receita, Lobo projeta que a situação da USP deve ser resolvida ao longo dos próximos anos.

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