Uniões com meninas ainda são 30 vezes mais comuns

Registro Civil aponta que entre 2003 e 2009 foram 4.508 casamentos de garotas com menos de 15, contra 150 de garotos

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

Outro levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detalha ainda mais o universo dos casamentos de crianças e adolescentes. Segundo as Estatísticas do Registro Civil de 2009, o número de meninas com menos de 15 anos que casam formalmente no Brasil é cerca de 30 vezes maior do que o dos meninos. Entre 2003 e 2009, foram 4.508 contra 150.

Os números mostram também que as meninas costumam se casar com noivos mais velhos. Quando a adolescente é do sexo feminino, a idade média do noivo é de 20 a 24 anos. Já os meninos com menos de 15 anos costumam se casar com mulheres mais jovens, de 15 a 19 anos. Apesar de raros, casamentos de crianças com pessoas de mais de 60 anos de idade ainda acontecem no Brasil. Em seis anos, apenas um caso do gênero foi registrado: no Maranhão, em 2006, uma menina de menos de 15 anos se casou no papel com um homem de mais de 65.

Segundo especialistas, uniões precoces como essas podem causar problemas sociais e psicológicos. "É comum que o adolescente deixe de estudar e, dessa maneira, pule uma parte importante do seu desenvolvimento social", afirma Albertina Takiuti, coordenadora da Casa do Adolescente do Estado de São Paulo.

Segundo ela, é necessário haver uma abordagem dos jovens para evitar situações de gravidez indesejada, fato que costuma ser determinante nos casamentos com menores de idade. "Muitas vezes, até por questão econômica ou religiosa, é comum que a adolescente grávida se case com o parceiro ou simplesmente vá morar sob o mesmo teto. Isso pode acontecer tanto por desejo próprio quanto por ausência de pais ou parentes próximos que possam dar suporte", explica Albertina.

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