Unifesp em Guarulhos funciona há sete anos sem laudo contra incêndio

O Corpo de Bombeiros já apontou 18 itens a serem corrigidos na universidade - por onde circulam mais de 3 mil pessoas por dia -, mas nada foi feito; a reitora Soraya Smaili afirma que obras para readequação devem começar em setembro

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2013 | 02h03

O câmpus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) funciona desde a inauguração, há sete anos, sem o laudo de segurança contra incêndios, documento essencial para uso do imóvel. Os bombeiros já apontaram 18 itens a serem corrigidos no local, como rotas de fuga, mas nada foi feito. Circulam por dia na unidade mais de 3 mil pessoas, entre alunos, professores e funcionários.

A adequação dos itens de segurança só deve começar a ser realizada quando as obras do novo prédio da unidade forem iniciadas - a previsão é para setembro, quando toda unidade será transferida para um imóvel temporário. "Vamos atender à legislação", afirma a reitora, Soraya Smaili. "Temos de readequar completamente todo o espaço, com mudanças para acessibilidade e contra incêndios, não só a obra do novo prédio."

A unidade localizada no bairro dos Pimentas, na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo, tem um histórico de problemas de infraestrutura. Um grupo de professores já defendeu a saída definitiva do local por causa da carência de serviços e dificuldade de acesso. Depois de anos de atraso e problemas com licitação para construção do prédio principal, a construção vai começar mais de um semestre depois de o contrato de R$ 51 milhões ter sido assinado.

A demora para o início das obras ocorreu, segundo a reitoria, pela dificuldade em encontrar um imóvel que abrigasse os alunos temporariamente durante as obras. "Considerando os cinco meses da nossa gestão, conseguimos encontrar o imóvel e passamos por todas as instâncias administrativas. Foi um tempo recorde", diz Soraya.

A universidade acaba de alugar por R$ 250 mil mensais um prédio no centro de Guarulhos para transferir a unidade durante a obra. O imóvel era de uma escola, o que facilita a adaptação, mas a universidade ainda terá de fazer reformas de adequações, cujo valor não foi revelado. Como as obras do novo prédio devem durar no mínimo dois anos, a universidade vai gastar ao menos R$ 6 milhões em aluguel.

Segundo a reitoria, o valor foi definido com base em laudo da Caixa Econômica Federal. A Universidade de Guarulhos (UnG) chegou a oferecer para a Unifesp um imóvel para abrigar a unidade sem custo, mas a instituição o considerou pequeno. A área do colégio alugado é de 14 mil m², enquanto a área oferecida tinha 2,9 mil m².

O câmpus de Guarulhos tem seis cursos de graduação, abrigados na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Também oferece seis pós-graduações. Por falta de espaço, a universidade utiliza salas de um Centro de Educação Unificada (CEU) da prefeitura, que fica ao lado da universidade (mais informações nesta página). A reitoria garante que toda a escola voltará ao câmpus do Pimentas após o término das obras do prédio novo.

'Falha sistêmica'. Estudante do 4.º ano de Ciências Sociais, Bruno Athanasio, de 25 anos, critica a escolha da reitoria por alugar um prédio particular. "É muito dinheiro, R$ 3 milhões por ano. É uma universidade pública, um serviço público, repassando suas verbas diretamente para uma instituição privada", diz ele. Atuante no movimento estudantil, Athanasio entende que a necessidade do aluguel é um agravamento de uma "falha sistêmica" em relação à infraestrutura da unidade. "São sete anos de falhas e, por consequência, vários alunos tiveram uma graduação limitada."

Caloura de Letras, a paraense Camila Felix, de 18 anos, diz que não sabia da precariedade do câmpus até se matricular. "Falta estrutura nas proximidades, não tem uma papelaria aqui perto", diz ela, que tem gostado do curso. "O acesso é mesmo a maior dificuldade."

Ela mora em Osasco e demora três horas para chegar até a faculdade. A Unifesp promete que vai renegociar com o governo estadual o contrato da linha de ônibus (Ponte Orca) que liga o câmpus no Pimentas ao Metrô Itaquera. A ideia é que a linha chegue ao novo endereço. Também pretende iniciar as aulas no local provisório tendo o funcionamento de toda estrutura da escola, da biblioteca ao restaurante universitário.

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