Único PM punido nos protestos de junho/2013 não estava 'de prontidão'

Delito do tenente-coronel Silvio Lúcio Franco Nassaro foi ter ido para casa mais cedo; PMs não podiam deixar postos até segunda ordem

O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Além dos tenentes e do sargento acusados pela Polícia Militar de desobediência, que terminaram absolvidos, o único militar punido até hoje por delitos relacionados às manifestações de junho do ano passado é o tenente-coronel Silvio Lúcio Franco Nassaro, conforme as informações do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

O delito do coronel, então comandante do 50.º Batalhão de Polícia da Capital, em Interlagos, zona sul da cidade, foi ter ido para casa mais cedo no dia 15 de novembro do ano passado. Naquela data, havia um protesto chamado "Dia de Fúria", marcado para ocorrer na região central. E todos os PMs da capital estavam de sobreaviso - não podiam deixar seus postos até segunda ordem.

Nassaro, no entanto, voltou para casa, em Santa Cecília, entre "17h e 18h", segundo a sentença do caso. Seu advogado, Giuliano Mazitelli, argumentou que não houve dolo (intenção) de prática de crime por parte do coronel, mas que ele agiu assim "em um momento de aflição e o acusado estava atento ao que se passava na unidade que comandava, pois seu motorista permanecia na rádio-escuta", segundo trecho da decisão judicial sobre o caso. A Justiça decidiu condená-lo a 6 meses de prisão em regime domiciliar.

Há dois meses, o Estado publicou reportagem que mostrava que a Corregedoria da PM havia aberto um inquérito para apurar abusos cometidos por policiais durante o protesto de rua do dia 13 de junho - a noite mais violenta das manifestações, que terminou com 105 civis feridos. Nenhum PM havia nem sequer sido identificado como autor de atos suspeitos.

A PM diz que instaurou inquéritos, acompanhados pelo Ministério Público, de todos os atos violentos. E que 80 PMs também ficaram feridos por causa de manifestações.

Mais conteúdo sobre:
PM protestos junho 2013

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.