Unicamp entra na lista de rodízio de água em Campinas

Unicamp entra na lista de rodízio de água em Campinas

Assessoria de imprensa da universidade confirmou que institutos, faculdades e órgãos sofreram com a falta d'água

Thiago Rovêdo, Especial para O Estado

17 de outubro de 2014 | 18h40

CAMPINAS- A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entrou na lista do rodizio promovido pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) e 31 localidades entraram na lista de desabastecimento por causa da crise hídrica da cidade. A assessoria de imprensa da universidade confirmou que entre eles estão institutos, faculdades e órgãos, sofreram com a falta d'água, e a unidade já pediu informações sobre a programação dos próximos rodízios e que apenas o Restaurante Administrativo (RA), utilizado pelos alunos, passou o dia fechado. No entanto, estudantes relataram desabastecimento em outros locais.

Aluno da faculdade de Letras, Maurício Gabriel dos Santos, 21, contou que todos foram surpreendidos com o desabastecimento de água, e a Unicamp informou através de um e-mail, que para ele chegou por volta das 13h. Santos afirmou também que as denúncias estão espalhada por todo o campus, que fica localizado no Distrito de Barão Geraldo. "Pelo que a gente ficou sabendo, a maioria das pessoas, em algum momento, ficou sem água hoje. Recebi um e-mail bem tarde sobre o assunto, já que desde de manhã, o corte foi realizado. Todos no entorno do Ciclo Básico, além da moradia e o restaurante também tiveram problemas", contou.

Já um estudante de biologia explicou que a área da saúde não foi afetada, porém, durante todo o dia, em vários institutos, o desabastecimento foi constatado. "Sei que aconteceu no Instituto de Computação e na Engenharia Agrícola, onde tenho amigos e eles contaram sobre a falta d'água. Mas, no campus, é possível ouvir conversa que em algum horário do dia, ficamos sem água", disse.

Os funcionários da Diretoria Geral de Administração (DGA), área responsável por contratos, suspendeu o expediente e os funcionários foram dispensados a partir das 15h, segundo um funcionário que pediu para não se identificar, mas a universidade não confirmou a notícia.

No site oficial, além de pedir conscientização sobre o consumo de água, a universidade informou que "diante da grave crise hídrica enfrentada em todo o estado de São Paulo, informamos que conforme noticiado pela Sanasa na data de hoje, a Unicamp será afetada pelo desabastecimento de água da Sub-adutora Sertão da Sanasa". A Unicamp protocolou junto à Sanasa solicitação de informações sobre a programação do rodízio para o abastecimento de água no município, destacando a importância de avisar com antecedência as áreas afetadas.

Segundo a Sanasa, o desabastecimento ocorreu das 9h às 17h e a população afetada foi de aproximadamente 137 mil habitantes em toda a cidade. O abastecimento continua comprometido devido à baixa qualidade da água, e a captação de água do Rio Atibaia está comprometida em 21% - responsável pelo abastecimento de 95% da população.

Indústria. Os cortes ainda afetam a economia local. Segundo o vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp) de Americana e coordenador da Câmara Técnica da Indústria no Comitê do PCJ, Leandro Zanini, a crise hídrica vai reduzir a produção industrial. 

O efeito dominó será causado pelas 85 grandes empresas da região que captam diretamente no sistema do Rio Atibaia - incluindo o Polo Petroquímico de Paulínia. Essas estão consumindo apenas 43% da vazão outorgada. “O problema é que não há mais água no rio”, diz. Segundo Zanini, “essas empresas já atingiram o limite da eficiência na economia de água e agora não resta outra saída a não ser reduzir a produção.”

Para evitar demissões, o Ciesp procurou o DAEE para liberar poços para o uso das indústrias. / COLABOROU CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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