União transfere 40 presos para cessar ataques em SC

Grupo tem três integrantes do PCC; Polícias Civil e Federal ainda cumpriram 70 mandados de prisão em 11 cidades do Estado

BRUNO PAES MANSO , ENVIADO ESPECIAL , FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h03

Quarenta presos foram transferidos na manhã de ontem de penitenciárias de seis cidades de Santa Catarina para presídios federais, na maior operação do tipo feita em conjunto entre Estado e União. Três dos presos são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e os demais 37 fazem parte do Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

Os transferidos foram apontados pelas autoridades como responsáveis pela onda de atentados ocorrida no Estado. Eles foram transportados em dois aviões Hércules. Por questão de segurança, as autoridades não revelaram o destino do grupo.

Logo após a ação, os resultados foram anunciados pelo governador Raimundo Colombo (PSD) e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo. "Estamos quebrando a espinha dorsal do crime organizado", afirmou o governador. Desde 30 de janeiro, autoridades registraram 104 ocorrências praticadas sob a orientação de facções criminosas, entre incêndios a ônibus e disparos contra viaturas e bases da PM.

Além da transferência dos presos, as polícias cumpriram 70 mandados de prisão. Florianópolis e outras 11 cidades foram alvos da operação. Até o fim da manhã, 25 pessoas haviam sido presas, incluindo uma advogada acusada de passar informações aos criminosos e de integrar o PGC. Outros 45 mandados foram cumpridos para presos, que foram acusados de dar as ordens para os ataques dos presídios.

A maioria dos presos é acusada de levar informações do interior dos presídios para as ruas. Do grupo, cinco são advogados. Os demais são familiares e amigos que aproveitavam visitas para repassar as ordens da facção.

Morro. Uma das operações estratégicas ocorreu na manhã de ontem, no Morro do Horácio, comando pela mulher do traficante Rodrigo da Pedra, atualmente preso. Alvo principal das buscas, ela não foi encontrada, mas familiares do casal foram detidos para interrogatório.

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, negou que exista a possibilidade de a transferência fortalecer os criminosos e aumentar a rede de contatos deles com outras facções. Em 2010, quando a existência da facção foi assumida em Santa Catarina, 40 presos foram transferidos para presídios federais. Depois eles voltaram para as penitenciárias do Estado. E os ataques passaram a ocorrer. "Lá eles são isolados e seus contatos são cortados", disse.

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