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SP ficará mais duas semanas sem chuvas

Há 13 dias não chove na capital paulista, que entrou hoje em estado de atenção após registrar umidade relativa do ar de 26%

Camila Santos, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 11h07

SÃO PAULO - Há 13 dias sem chuvas, a cidade de São Paulo enfrenta um período de tempo seco neste inverno, com redução da umidade relativa do ar. Toda a capital entrou em estado de atenção, depois que o índice de umidade caiu a 26%, hoje por volta das 14 horas.

A previsão é que só volte a chover na capital a partir do dia 20 de agosto, quando há previsão da chegada de uma nova frente fria. Até lá, o clima seco e quente deverá predominar, prejudicando a qualidade do ar.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura, os termômetros marcavam 28ºC, hoje à tarde, nas estações meteorológicas nos aeroportos de Congonhas, na Zona Sul e do Campo de Marte, na Zona Norte. A umidade relativa do ar foi de 28% e 26%, respectivamente. Segundo informações do CGE, o clima quente e seco requer cuidados com a saúde. 

Caso a umidade caia abaixo de 21%, a capital paulista entrará em estado de alerta, conforme recomendações definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A classificação estabelece que índices abaixo de 60% são inadequados à saúde humana. Números inferiores a 21% exigem que as pessoas sigam orientações da OMS para minimizar os danos ao sistema respiratório, como umidificar os ambientes, por exemplo. 

A baixa umidade também prejudica a dispersão de poluentes, gerando a concentração de enxofre, dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono e partículas inaláveis. A qualidade do ar na região metropolitana foi classificada como ruim, de acordo com boletim divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Nas últimas 24 horas, o ar apresentou qualidade boa somente nas estações de medição localizadas em Itaquera, Nossa Senhora do Ó e Parque Dom Pedro II. 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar é influenciada pela temperatura. Por isso, o clima seco - comum em agosto -, associado a dias quentes em pleno inverno, agrava a baixa umidade do ar.

De acordo com Franco Villela, metorologista do Inmet, o cenário de baixa umidade e calor já se prolonga desde a última chuva registrada, no dia 26 de julho. Mas com os índices de umidade abaixo dos 30%, a cidade entrou em estado de atenção. 

"A faixa de umidade mais favorável para o conforno humano fica em torno de 60%. Essa baixa umidade que já dura vários dias traz problemas como ardência e ressecamento das mucosas e dos olhos, além de insuficiência respiratória - especialmente para quem já tem sensibilidade", disse ao Estado.

De acordo com ele, o cenário tende a se manter nos próximos dias. "Podemos ter uma pequena melhoria, muito discreta, na terça-feira. Mas a situação só vai ficar mais confortável mesmo no próximo fim de semana, quando uma massa de ar úmido deverá trazer alguns chuviscos", disse Villela. "Esses chuviscos, no entanto, não deverão alterar em nada a situação dos reservatórios", afirmou.

Segundo Villela, a ocorrência de nevoeiros pela manhã nos últimos dias não é suficiente para alterar a baixa umidade. "Durante os nevoeiros, a umidade relativa do ar é de praticamente 100%, mas com sol e calor durante o dia, à tarde os índices de umidade estão caindo para a faixa dos 30%", explicou.

A dinâmica do aumento de temperatura ao longo do dia, seugndo Villela, favorece o fenômeno de inversão térmica, que impede a dispersão de poluentes para as partes mais altas da atmosfera. "Isso prejudica ainda mais a qualidade do ar, agravando os problemas relacionados à baixa umidade." 

Previsão. São Paulo amanheceu com céu ensolarado e tempo estável, marcando em média 20ºC às 9 horas. A mínima de 15ºC foi aferida durante a madrugada. O CGE apontou que a região da Capela do Socorro, na zona sul, alcançou 9ºC às 6h30, menor temperatura registrada na cidade. 

Por causa da massa de ar quente e seco que atua na região Sudeste, não há formação de nuvens de chuva e as frentes frias são desviadas para o oceano. 

Segundo o Climatempo, a máxima ficou hoje em torno dos 30ºC e deverá se repetir também nos próximos dias. Entre sábado e domingo, espera-se circulação dos ventos que vem do mar, o que influenciará no aumento da umidade. Porém, o surgimento de nebulosidade não será propício para as chuvas. 

A expectativa é de que volte a chover em São Paulo a partir da segunda quinzena de agosto, especificamente no dia 20. Mesmo assim, a previsão indica que o volume de água não será significativo. A estiagem deverá ser substituída por precipitações frequentes apenas na segunda quinzena de outubro, já na primavera. 


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