Uma solução inteligente

O modelo de preservação que deve ser adotado no antigo Hospital Matarazzo é uma boa ideia. Digo isso porque poucos casos são tão bem sucedidos na história da preservação do patrimônio histórico brasileiro quanto o da Casa das Rosas ? e ambos guardam semelhanças. O palacete da Avenida Paulista foi concluído em 1935 e abrigou os herdeiros de Ramos de Azevedo até meados dos anos 80, quando foi tombado pelo Condephaat e vendido pela família a uma construtora. Exatamente nesta época muitas mansões foram derrubadas para dar espaço à modernização e à especulação imobiliária.

Análise: Frederico Barbosa, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h00

Já na Casa das Rosas ocorreu um raro acordo entre o Condephaat e a construtora: o terreno contíguo à Alameda Santos foi "destombado", possibilitando a construção de um moderno edifício de escritórios de 25 andares, com a condição de que a Casa passasse por rigorosa restauração e fosse destinada a atividades culturais, a partir de 1991 gerida pela Secretaria de Estado da Cultura.

Assim, ao mesmo tempo em que se preservou o principal do patrimônio histórico e arquitetônico, não se impediu a modernização da região, nem se puniu os donos da Casa com um tombamento imobilizante que os impeliria, como de hábito, à destruição do imóvel. Além disso, geraram-se as condições para que a Casa das Rosas fizesse história, primeiro como a Galeria de Artes Casa das Rosas, entre 1991 e 2003, e, a partir de 2004, como o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, atualmente o mais importante centro de poesia e literatura do País.

É DIRETOR DA CASA DAS ROSAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.