Uma semana antes, perfil falso no Orkut prometia matança

Tragédia foi discutida em comunidades sociais e também esteve ontem no topo dos comentários do Twitter

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

O dia seguinte à tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira foi marcado por boatos na internet. Perfis falsos surgiram ontem em redes sociais e aumentaram as especulações sobre as motivações do assassino Wellington Menezes de Oliveira.

Entre os perfis criados no Orkut com o nome do atirador, um chamava a atenção por conter citações bíblicas, uma foto diferente da divulgada pela imprensa, imagens de cemitério e de um corpo ensanguentado. O perfil, que foi excluído no meio da tarde, não tinha amigos e estava vinculado só a uma comunidade recém-criada sobre a Bíblia - que saltou de sete para mais de 1,5 mil seguidores em pouco tempo.

No Twitter, as referências à tragédia no Rio figuraram durante todo o dia no topo do ranking de comentários. Em outras redes sociais e blogs, estavam entre os temas mais comentados ontem as mensagens de um internauta que, usando um perfil falso do deputado Jair Bolsonaro, havia escrito um texto no Orkut, no dia 31, no fórum da comunidade No Escuro: "Nem estou chorando, apenas me preparando para uma chacina que irei fazer no colégio que fui bulinado (sic). Em breve teremos um documentário estilo Columbine nas telinhas nacionais."

O texto foi enviado a veículos de comunicação logo após o massacre. O autor, porém, voltou a escrever, trocando Bolsonaro por Layne Staley, ex-vocalista do grupo Alice in Chains, morto em 2002, cuja trajetória é comparada à de Kurt Cobain, do Nirvana, ídolo sombrio do rock grunge. No perfil, de três amigos, escreveu: "Não sou o assassino".

Alarme. Mas o internauta manteve o mistério ao postar a reprodução do que parecia ser uma conversa reservada no próprio Orkut em que uma pessoa identificada como Leonardo Kevin se referia a Wellington como se o conhecesse e prometia realizar um ataque similar na segunda-feira na escola técnica de Santa Cruz, na zona oeste do Rio. A mensagem diz que, além de matar alunos, o objetivo seria alvejar o diretor. A disseminação da mensagem levou vários pais a ligar ontem para o colégio. O Estado entrou em contato com a escola, que confirmou ter um diretor parecido com o da ameaça. Ele não foi encontrado.

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