Uma maravilha do mundo vista de dentro

O labirinto de dez andares de escadas abafado e escuro, no interior do Cristo Redentor, leva a uma vista única e inesquecível da cidade do Rio

EDUARDO NICOLAU , FÁBIO MOTTA/ TEXTO, FOTOS , O Estado de S.Paulo

11 Março 2012 | 03h09

Cartão-postal mais famoso do Brasil, o Cristo Redentor é pouco conhecido por dentro. Seu interior, que lembra um labirinto de escadas abafado e escuro, hoje é visitado uma vez por mês apenas por funcionários da Arquidiocese do Rio, para manutenção do monumento, inaugurado na década de 1930 e restaurado recentemente. Em uma rara oportunidade, o Estado pôde explorar a parte interna e ter uma visão da cidade do Rio de uma perspectiva peculiar: dos braços e do topo da cabeça do Cristo.

Após subir cerca de 6 metros por uma escada de madeira ainda na parte externa, chega-se à base da estátua. É então que o "guardião do Cristo" Leonardo Costa Lima abre uma portinha camuflada pelos mosaicos de triângulos de pedra-sabão que revestem o monumento, no melhor estilo das passagens secretas dos desenhos animados.

No interior da estátua, a vista ao olhar para cima é de escadas de ferro de altura equivalente a dez andares, que lembram as obras tridimensionais do artista holandês M. C. Escher. Em uma pausa no meio da cansativa subida, o visitante se depara com o coração do Cristo, um tesouro em alto relevo que acompanha o desenho visto na parte externa - local que guarda a árvore genealógica de Heitor da Silva Costa (autor do projeto de 1923).

O guardião confessa que durante os trabalhos de manutenção, feitos mensalmente, já aproveitou para, às vésperas de clássicos de futebol, pedir a vitória do Flamengo (principalmente contra o Vasco), seu time do coração. Já o pedido da reportagem foi chegar lá em cima e ver um céu aberto, ideal para as fotos.

Ao fim da subida, as passagens ficam mais estreitas - e claustrofóbicas - e levam a cinco saídas; duas em cada braço e uma na cabeça. Após o difícil caminho até uma dessas saídas, a recompensa é uma imagem espetacular, bem do lado do rosto do Cristo Redentor, que vigiava concentrado a beleza da cidade do Rio. E o pedido da reportagem foi aceito.     

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