Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Uma em cada cinco praias do Estado está imprópria para banho

Segundo a Cetesb, 100% das opções da orla de Santos e mais da metade das de Caraguatatuba estão com problemas

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2011 | 00h00

As condições para banho nas 155 praias do Estado melhoraram nesta primeira semana do ano, em comparação com o mesmo período de 2010. Mas uma em cada cinco praias permanece imprópria, segundo o relatório da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Além disso, a situação deve piorar com as fortes chuvas no Estado.

A Cetesb classifica 34 praias como impróprias (duas delas com dois pontos de medição apontando mar inadequado: José Menino, em Santos, e Itaguá, em Ubatuba). Na primeira semana de 2010, eram 52 praias - o que representa uma redução de 34%.

Mas a própria companhia estadual afirma que essa melhora tem explicação meteorológica. A gerente do Setor de Águas Superficiais da Cetesb, Claudia Conde Lamparelli, diz que a chuva piora a balneabilidade das praias e, na primeira semana de 2010, choveu mais.

A explicação está na metodologia da Cetesb. Os pontos de medição detectam a quantidade de coliformes fecais vivos, que indicam se a água teve contato com esgoto. Quando chove, acontecem duas coisas que pioram a balneabilidade: em primeiro lugar, os coliformes fecais são transportados para o oceano com mais velocidade e, por isso, mais deles chegam ao mar vivos; em segundo lugar, os temporais também carregam detritos de animais e sujeira das calçadas que são lavadas - e não varridas, como orienta a companhia.

Agora, as chuvas da última semana - que chegaram a alagar o centro de Santos - devem piorar os índices do litoral paulista. "O próximo relatório deverá trazer um resultado pior para o litoral", alerta Claudia. Os dados devem ser compilados hoje.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de mais temporais para a região. Hoje, por exemplo, é esperada chuva forte no Guarujá, que tem apenas uma das 11 praias (Perequê) classificada como imprópria. Em janeiro de 2010, a Praia de Astúrias também estava na lista dos locais inadequados.

Investimento. A própria Cetesb afirma que as ações para a melhoria do índice tiveram papel secundário na diminuição do número de praias impróprias. "O que ocorreu mesmo foi que, na primeira semana do ano passado, choveu mais", diz Claudia. Mas ela lembra que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fez investimentos de R$ 1,2 bilhão na área.

A empresa desenvolveu um programa para dobrar a quantidade de esgoto coletado no litoral e a meta é, até o fim deste ano, tratar 95% do esgoto produzido na Baixada Santista. Todas as sete praias de Santos registraram balneabilidade imprópria.

Segundo a Cetesb, o mar sujo pode causar doenças como a gastroenterite, que provoca enjoo, vômitos e dores. Mas a água poluída pode levar ainda a disenteria, hepatite A e cólera.

Abaixo do esperado

CLAUDIA CONDE LAMPARELLI

GERENTE DE ÁGUAS SUPERFICIAIS DA COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB)

"Tínhamos a expectativa de que, com todos os investimentos feitos na Baixada (Santista), teríamos resultados mais significativos"

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