Uma disputa que vai muito além do Palácio Anchieta

Não há forma mais direta de medir a força política de um prefeito que a disputa pela presidência da Câmara Municipal. Uma vitória é sinal de que o governo provavelmente não terá problemas para aprovar seus projetos - quase sempre os mais polêmicos da gestão - pelos dois anos seguintes. Já uma derrota...

Cenário: Diego Zanchetta e Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2010 | 00h00

Se emplacar no comando da Câmara o seu líder de governo, o tucano José Police Neto, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) indicará não só com quem conta para aprovar leis no Palácio Anchieta, sede do Legislativo, como para consolidar seu futuro político: eleger o sucessor na Prefeitura e viabilizar a própria candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Para isso, Kassab usa uma estratégia que lembra a eleição de Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. Naquele ano, Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) deram espaço a um partido de menor expressão para superar um adversário comum, o PMDB. Kassab não tem a força do então governador mineiro. Mas aposta na valorização de legendas em torno de PT e PSDB em São Paulo, podendo até apoiar um nome dessa base para sua sucessão e, depois, liderar a "terceira via" capaz de enfrentar petistas e tucanos na eleição estadual.

Para o PT, derrotar o candidato do prefeito com a vitória do vereador Milton Leite (DEM) - apoiado pelo grupo do atual presidente, Antonio Carlos Rodrigues (PR), primeiro suplente de Marta Suplicy (PT) no Senado - significa enfraquecer um adversário não só na disputa pela Prefeitura, como na eleição estadual de 2014.

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