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Um virtual (e polêmico) passeio por 51 cidades

Street View, do Google, mostra em 360° ruas de São Paulo, Rio e BH, entre outras

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Passear por São Paulo sem trânsito, sem risco de assaltos, sem pressa, sem poluição. E, ainda por cima, com o sol quase sempre brilhando. Pelo menos virtualmente, também já é possível conhecer as avenidas, ruas, vielas e cruzamentos da capital sem esforço - o Google Brasil lançou ontem a polêmica ferramenta Street View, que oferece uma visão em 360 graus das vias de 51 cidades brasileiras.

Foram 150 mil quilômetros percorridos em um ano e milhões de fotos processadas para reproduzir virtualmente os municípios, que podem ajudar os internautas a conhecer rotas, encontrar lojas e bares ou simplesmente fazer turismo com mouse e teclado.

Do lado polêmico, estão dezenas de pessoas que já processaram o Google em outros países por causa do serviço, alegando invasão de privacidade. Autoridades inglesas, por exemplo, obrigaram o Google a retirar construções militares do Street View, enquanto o governo grego proibiu a captura de imagens do país para a ferramenta. Por aqui, a controvérsia não deve ser diferente - apesar de a empresa "desfocar" a maioria dos rostos das pessoas que aparecem nas fotos (chega-se ao cúmulo de desfocar o rosto da estátua do Borba Gato), é possível reconhecer amigos e parentes que eventualmente estavam nos locais nos dias da captura das imagens.

Ontem mesmo, internautas já encontraram imagens de pontos de prostituição, pessoas fazendo xixi ou vomitando na rua, usuários de drogas e até mesmo um corpo sem cabeça na pista central da Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio.

Coleta. O Brasil é o primeiro país da América do Sul incluído no Google Street View, que está disponível nos EUA, Europa, Ásia e até na Antártida. O endereço para acessar é maps.google.com.br. As cidades mapeadas no País incluem São Paulo, Rio, Belo Horizonte e regiões metropolitanas, como o ABC paulista, arredores de Campinas e Niterói, além das Cidades Históricas de Minas Gerais (como Mariana, Diamantina e Ouro Preto).

Segundo o gerente de produtos da companhia, Marcelo Quintella, a intenção é cobrir, em dois anos, cerca de 90% do território brasileiro mapeado no Google Maps.

A coleta de imagens foi realizada por 30 carros equipados com nove câmeras que faziam imagens das ruas em 360 graus. Por meio de um sistema de GPS, elas eram associadas aos locais capturados. As favelas ficaram de fora - segundo a empresa, o registro não foi realizado porque a captura depende de permissão dos moradores, assim como acontece em condomínios privados. A intenção do Google é que essas áreas sejam mapeadas na próxima etapa do trabalho, justamente quando um triciclo vai percorrer os locais onde os carros não têm acesso.

No Twitter, a estreia dividiu opiniões. "Muita tecnologia, o resultado é surpreendente", escreveu Márcio Nunes (@mairaamelia). "Estou apaixonada, matando saudades da minha terra", postou Tatiana Azevedo (@TatiABernardes). A questão da privacidade, no entanto, é um dos pontos que mais provocam discussão. "Google Street View já está funcionando, só faltou dizer onde é que fica a privacidade", afirmou Bruno Burin (@bruno_burin). "No fundo também é assustador! Dá pra se sentir meio vigiado", disse Flaviana Nascimento (@Flaviiii). / COLABOROU GABRIEL PINHEIRO

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