Um tremor que balançou a noite

O System of a Down, do cantor Serj Tankian, quebrou estereótipos no visual e no poderio de um som que incomoda

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2011 | 03h05

Mais transgressora entre as bandas de rock que se apresentaram no palco principal, o System of a Down espanca e acaricia o velho metal com elementos de música do Leste Europeu, hip hop, dodecafonia, ataques sonoros com restos de árias e uma disposição inacreditável.

Como Rage Against the Machine e Queens of the Stone Age, eles exploram há 16 anos novos territórios da música pesada com coragem e inventividade. O baixista Shavo Odadjian e o guitarrista Daron Malakian são monstruosos - e foram um dos melhores fatos artísticos do festival. No qual estavam por intervenção direta dos fãs, que votaram para que viessem - sábios caminhos da democracia.

Em uma gangorra entre o terrível e o excessivo, o teatro do cantor Serj Tankian afronta todos os dogmas do hardcore. De camisa Lacoste e cavanhaquezinho Borat, ele espalhou como um vírus pela Cidade do Rock sua faceta Freddie Mercury, sendo acompanhado nos gritos lancinantes pela plateia de iniciados.

Há um componente emocional forte no som, mas tem muito mais a ver com bandas como Testament e Meshuggah do que com Korn e Limp Bizkit, que fizeram fortuna nessa área. Há também ironia, sabem rir de si mesmos e de sua inserção no heavy metal.

Set 'monstruoso'. Fizeram um set tão longo que só perdeu para o do Guns - 28 músicas. Abriram com um tremor que balançou a noite, com Prison Song. Toxicity e Sugar fecharam a noite. O System of a Down não usou artifícios externos à música, só um mergulho nas possibilidades de um gênero que se mostrava quase esgotado. Mas que renasceu pelos atalhos da Armênia./ J.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.