Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Um tour pelos 'mercadões' paulistanos

Treze centros espalhados pela capital vendem desde iguarias finas em Pinheiros a produtos alemães em Santo Amaro

O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 03h03

Gaiola de passarinho,  fantasia de criança, pernil de cordeiro, pernil de cabrito, fava de baunilha, pimenta vermelha, saco de pipoca, alcaparras, jaborandi, flores do campo, damasco turco, figo iraniano. Não tem como não um lugar, um produto, uma loja predileta em um dos 13 mercados municipais de São Paulo - o da Cantareira (vulgo Mercadão) não é o único. É somente o mais famoso deles.

Na zona oeste, as iguarias finas do Mercado de Pinheiros abastecem não só os restaurantes e bares da região como os moradores. Muitos deles nem se deslocam até lá: quase todos os boxes têm serviço de entrega em domicílio. A parte ruim é que a maioria desconhece, por exemplo, a varanda com mesas ao ar livre recém-inaugurada no mercado. "Estamos esperando terminar a revitalização (do Largo da Batata) para divulgar", diz Luiza Maria da Conceição, da associação de comerciantes do mercado.

Até o ano passado, o mesmo primeiro andar onde fica a varanda era conhecido pelo livre comércio de animais. A Prefeitura proibiu, o mercado passou por uma reforma geral e, hoje, no lugar das cabras e galos, há rotisserias, cafés, lojas de vinhos e embutidos. "Meus produtos são caros", confessa a comerciante paraguaia Ana Luvizari, de 79 anos. "Mas é o que a clientela do bairro procura."

Colônia. Já o pequeno mercado de Santo Amaro mais parece um pedaço da Alemanha: a loja de flores tem placa em alemão, as mercearias vendem chucrute, os empórios têm 'bratwurst' e 'frankfurter'. A explicação se encontra nos bairros do entorno - Chácara Santo Antônio, Alto da Boa Vista, Granja Julieta -, repleta de descendentes alemães. A dona de casa Lúcia Müler é uma. "Hoje se encontra tudo em supermercados, mas é monótono. Aqui sempre tem novidade. Se não tem, o dono da loja manda buscar para a gente."

Do mar. Mas é só no centrão da Lapa, ao lado de uma estação de trem, embaixo do viaduto e na frente do terminal de ônibus que alguém pode encontrar conchas do mar em pleno mercado. Originais, diz o vendedor. Cada uma custa R$ 10, de todos os tamanhos e cores - vêm dos mares das Filipinas, garante, de novo, o vendedor.

O Mercado da Lapa foi inaugurado em 1954 e é o terceiro mais antigo da cidade. Assim como o Mercadão, é tombado pelo patrimônio histórico e cada reforma na sua estrutura de formato triangular - uma escândalo arquitetônico para a época - exige cuidado.

Também tem comerciantes antigos, como Salvador Falabella, de 82 anos, metade vividos no mercado. Só porque tem uma loja de fumo, os novatos que passam por lá acham que ele vende cigarro. "Não tem dessa marca, não", responde aos desavisados. O que tem é fumo em pacote, fumo de corda, cachimbo. "É para o pessoal mais antigo que ainda tem paciência para fumar desse jeito."

Limpeza. Quem sai da muvuca da Rua Silva Bueno para entrar no Mercado do Ipiranga até estranha: o piso é limpo que brilha, a luz é natural, tem música ambiente. "Com a chegada dos prédios na vizinhança, agora temos uma clientela nova", diz Rogério Drigo, da associação de comerciantes.

A praça de alimentação é animada, tem feira de livros uma vez por ano. Às sextas e sábados, montam uma barraca de nacionalidade mista: acarajé, temaki e taco. E tem o sanduíche de mortadela da lanchonete do Alexandre, que depois de 12 anos de Mercadão, foi para o Ipiranga vender o lanche mais famoso da cidade. Que tem no da Lapa e no de Pinheiros. "Não é só no Mercadão que tem lanche de mortadela e bolinho de bacalhau!", é a frase que se ouve de quase todos os comerciantes.

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