Um projeto para dar cara nova ao Bexiga

Plano liderado por 40 entidades propõe a restauração do patrimônio e profissionalização dos moradores para atender turistas durante a Copa

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Encravado entre os hotéis da Avenida Paulista e as estações das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô, repleto de imóveis tombados e dono de um passado ligado à noite paulistana, o bairro do Bexiga, no centro de São Paulo, quer aproveitar a Copa de 2014 para renascer. Cerca de 40 entidades do bairro se uniram para revitalizar a região nos próximos quatro anos e transformá-la em uma alternativa para os turistas que chegarem à capital.

O projeto Bexiga 2014 será lançado na próxima quarta-feira em um evento no bairro. Segundo o coordenador da Associação Novolhar, Paulo Santiago, uma das entidades envolvidas, o plano é uma adaptação de um projeto mais longo, de dez anos, que pensava em alternativas para a Bela Vista, região onde fica o Bexiga. "Com a Copa, vimos que era possível dividir o plano em duas etapas e dar um gás com o Projeto Bexiga 2014", diz.

Para ele, o desenvolvimento da capital foi prejudicial para o bairro. Cita o viaduto sobre a Praça 14 Bis e a Ligação Leste-Oeste como obras viárias que, a exemplo do que ocorreu com o Minhocão em Santa Cecília, contribuíram para o atual cenário de degradação da região. As 40 entidades, a maioria organizações não-governamentais (ONGs), buscam a restauração do patrimônio e a formação profissional dos moradores para explorar o potencial turístico do bairro.

Há um conjunto de planos já traçados, como trazer uma escola de gastronomia, cursos de hotelaria e música e centros de esporte para a população. Mas as ações mais interessantes são também as mais ousadas: uma propõe transformar as escadarias da Rua 13 de Maio, tombadas, em arquibancadas provisórias para os jogos. Depois da Copa, para projeções de cinema a céu aberto.

Outra seria a criação de áreas multiuso, que poderiam servir como ciclovias ou parques lineares, no meio das ruas - o bairro perderia vagas de estacionamento. Os projetos não foram desenvolvidos por apenas um arquiteto. Participaram do plano, por exemplo, alunos do Mackenzie e o escritório Zoom. "Esperamos conseguir mais parceiros", diz a agente de desenvolvimento Priscila Freire, da Rede Social Bela Vista.

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