Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Um presente entre as raras novidades

Palco Sunset travou encontros curiosos, mas as atrações sofreram com a péssima qualidade de som

Lucas Nobile e Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

24 de setembro de 2011 | 03h01

A quarta edição do Rock in Rio no Brasil teve início, com atraso de vinte minutos, no Palco Sunset, o secundário, criado com o intuito de promover encontros entre artistas de linguagens semelhantes ou completamente diferentes. O primeiro dia deste palco - sempre com previsão de receber quatro shows diariamente - teve um saldo negativo: tanto no quesito equalização quanto no musical.

O atraso foi causado por problemas técnicos no som. A produção parece ter se esquecido do equilíbrio sonoro (em todos os sentidos) e a curadoria foi equivocada. Durante a apresentação de Bebel Gilberto e Sandra de Sá, que trocaram um beijo na boca, um senhor quase pulou a grade dos técnicos de som, gritando: "Vocês não estão percebendo que o som está vazando? Não dá para entender nada do que está sendo cantado!"

Os trabalhos foram abertos às 15 h com show da Orkestra Rumpilezz, de Salvador, capitaneada por Letieres Leite, Móveis Coloniais de Acaju e Mariana Aydar. O destaque do show foi o grupo baiano, com seus temas criados a partir dos toques de candomblé. Mas todos os quase 30 músicos (entre Rumpilezz, Móveis e Mariana) foram prejudicados por problemas técnicos como microfonias.

Depois do primeiro show, foi a vez da mistura entre Ed Motta, Andreas Kisser e o português Rui Veloso. Com uma formação de cinco guitarras, baixo, bateria e vocal, os músicos jogaram para a plateia e resgataram clássicos do rock, com um repertório que contemplou Beatles, Eric Clapton, Led Zeppelin. Não convenceram.

Em seu primeiro dia, o Palco Sunset abusou de interpretações de canções antigas. Foi o mesmo que se viu no show de Bebel Gilberto e Sandra de Sá. As duas - que se conheceram por intermédio de Cazuza - fizeram um apresentação ancorada nos sucessos do compositor, como Ideologia, Todo Amor que Houver Nessa Vida e Brasil. Todas com problemas de desafinação e a falta de carisma de Bebel, que ainda aniquilou a clássica Sun is Shining, de Bob Marley. Uma apresentação patética, que só foi salva pela energia de Sandra de Sá, cantando clássicos de sua carreira, como Joga Fora no Lixo e Olhos Coloridos. Além disso, a dupla interpretou temas de Adriana Calcanhoto e O Rappa, mas não chegou a levantar a plateia diversificada, com muitas famílias, jovens e pessoas de diversas partes do País, exibindo bandeiras de Pernambuco e de times, como do Remo, do Pará.

Enquanto isso, num palco menor, o Sunset, duas bandas independentes europeias tentavam fazer frente aos hoje gigantes da música brasileira: a portuguesa The Gift (que emocionou seu modesto público tocando no final a canção Índios, do Legião Urbana) e os modernos dinamarqueses do Asteroids Galaxy Tour - liderados pela robótica loira Mette, que lembrava a replicante vivida por Daryl Hannah no filme Blade Runner. Os músicos do Móveis Coloniais de Acaju, banda brasileira, compareceram em peso para ver os dinamarqueses.

Hoje o Sunset trará os encontros de Marcelo Yuka com Cibele, Karuna Buhr e Amora Pêra; Tulipa Ruiz com Nação Zumbi; Milton Nascimento com Esperanza Spalding; e Mike Patton com Mondo Cane com e Orquestra de Heliópolis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.