Capítulo 12

Um passeio para quando se está só

Que tal se apaixonar pelos livros, pelas livrarias, pelo inesperado da ficção

Daniel Fernandes, São Paulo

04 de abril de 2019 | 11h25

Guy Montag, personagem eternizado em Fahrenheit 451, vivia em um mundo onde livros não eram importantes, eram banidos, proibidos. Um mundo em que bombeiros não combatiam fogo, mas queimavam obras impressas. Montag, sozinho, adquiriu consciência plena sobre o absurdo daquela distopia e resolveu deixar aquele mundo: mergulhou nas águas profundas e escurecidas de um rio para escapar da besta-fera mecânica. A ficção científica – será mesmo ficção? -  escrita por Ray Bradbury e eternizada no cinema por ninguém menos que François Truffaut nos inspiram para o passeio de hoje. 

Se você está sozinho nesta cidade gigantesca – acolhedora e desafiadora ao mesmo tempo – há um passeio que você deve fazer enquanto há tempo: visite uma livraria, se perca por horas em seus corredores e publicações, compre alguma coisa e volte para casa para certamente descobrir uma nova aldeia, uma nova turma. Uma nova realidade. Assim como Montag e os professores.

Conhecer livrarias. Eis a proposta de hoje. Vamos juntos? Eu, você e Montag.

Para começo de conversa. Antes de mais nada, esse texto da nossa especialista no tema aqui no Estadão, Maria Fernanda Rodrigues, mostra muito bem a crise do mercado editorial e a explica nas respostas para cinco perguntas.  O Blog mantido por ela sobre literatura e mercado editorial é parada obrigatória para quem gosta do tema ou quer mergulhar no assunto.

Bem, dito isso, nosso passeio começa pela Livraria Martins Fontes localizada na Avenida Paulista. Costumava ir muito lá durante a semana – por dever de ofício, começava a trabalhar muito tarde, por volta das 17h. Então, chegava mais cedo na Paulista e me deixava levar por duas, três horas, atrás do livro que me fisgasse.

Abria, lia trechos, gostava de algum que não tinha dinheiro para pagar (tempos difíceis) ou os comprava mesmo assim. Também gostava muito da Livraria Cultura na mesma avenida. Mas, confesso, seu tamanho às vezes me assustava. Mas foi numa unidade da Cultura que descobri Roberto Bolaño, motivo suficiente para que a livraria jamais deixe o espaço que cativou no meu coração.

E se você estiver na região, por favor, não deixe de conhecer a Livraria do Espaço – localizada dentro do Espaço Itaú (eu ainda chamo de Espaço Unibanco) da Rua Augusta (lado do Centro, não Jardins). Lá tem muita coisa legal; e muita coisa sobre cinema também. E se você estiver sozinho na região (eu iria escrever rolé, mas fiquei com vergonha), não deixe de caminhar entre um destino e outro. Observe os prédios, observe as pessoas. E respire fundo: os livros não vão acabar. Nem, esperamos, as livrarias. Aliás, se você deseja se apaixonar por esse universo, sugiro, de coração, essa matéria recente sobre 30 filmes sobre livros, escritores, editoras e livrarias.

Mas não vamos nos limitar à Paulista. No ano passado, Renato Vieira e Júlia Corrêa preparam um roteiro magnífico no Divirta-se sobre livrarias. Tem a loja dos livros impossíveis, a que traz um fusca e o cão, aquela em que o relógio bate diferente.... passeios imperdíveis.

Conversa virtual. Eu, para escrever essa coluna, lembrei de Fahrenheit 451. Ao ler essa pequena homenagem aos livros e livrarias, de qual livro você se lembra? Qual livro marcou a sua vida? Eu quero saber., escreve lá nos comentários.

Recentemente, também, fiz o mesmo com os discos e perguntei ao leitor qual foi a sua primeira aquisição: o resultado traz dicas para todos vocês. Reproduzo abaixo.

Um abraço e nos vemos por aí.

Algumas sugestões de discos que marcaram a vida dos nossos leitores

Slave Alive – Nazareth

Compacto Simples (Lado A: Satisfaction; Lado B: Mercy, Mercy) – The Rolling Stones 

Midnight Cowboy – Trilha Sonora do filme

LIVE – Peter Frampton

Thriller – Michael Jackson

Rocket to Russia – Ramones

Joe´s Garage – Frank Zappa

The House of The Rising Sun – The Animals

Travessia – Milton Nascimento

Álbum Branco – The Beatles

Delicate Sound of Thunder – Pink Floyd

Daniel Fernandes

Daniel Fernandes

Editor de Suplementos

Formado em jornalismo em 1998, trabalha no Estadão desde 2004. Adora descobrir coisas novas na cidade de São Paulo, mesmo que falte tempo para conhecer tudo ao mesmo tempo agora.

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