Um mês após tromba d'água que deixou 25 mortos, Itaoca ainda aguarda ajuda

Alunos estão sem aula por falta de transporte e moradores improvisam pontes

José Maria Tomazela,

12 Fevereiro 2014 | 16h27

SOROCABA - Um mês após o temporal que destruiu parte da cidade de Itaoca, no interior de São Paulo, deixando 25 mortos, 2 desaparecidos e mais de 300 desabrigados, o município ainda espera ajuda para se recuperar. Das 12 pontes que caíram, o governo estadual prometeu reconstruir as duas maiores, sobre o Rio Palmital, mas a obra ainda está na fase de projetos. A sondagem de solo, passo inicial para a execução, será feita na próxima semana. A construção de pontes provisórias, solicitada ao Exército, não foi aprovada por falta de contingente. Com a falta das pontes, alguns bairros continuam isolados e os moradores se arriscam sobre pinguelas improvisadas.

De acordo com o secretário de Agropecuária, Eli Rodrigues Fortes, alunos da zona rural estão sem aula por falta de transporte. "Muitos caminham quatro quilômetros para chegar até onde entra a condução", disse. No bairro Lajeado, moradores usam a pinguela ou cruzam o rio com água até a cintura. O bairro Guarda Mão, com 22 famílias, foi interditado pela Defesa Civil, mas os moradores não têm para onde ir.

"Eles passam o dia em suas casas e à noite, por segurança, vão dormir em casas de parentes", relata Fortes. As 90 casas prometidas pelo governo estadual ainda vão demorar, segundo o prefeito Rafael Camargo (PSD). "Mesmo numa situação de calamidade é impossível evitar a burocracia", disse.

A prefeitura já gastou R$ 2,4 milhões na limpeza e recuperação da infraestrutura urbana e ainda aguarda o repasse dessa verba pelo governo federal. Pelo menos cinco famílias que perderam as casas continuam abrigadas no Salão Comunitário municipal. Cerca de cem casas danificadas aguardam reparos. O prefeito pediu moradias ao programa Minha Casa Minha Vida, mas o processo é demorado. "Além de passar pela aprovação de vários órgãos, ainda temos de dar o terreno já com a infraestrutura", explicou Camargo. Ele já foi várias vezes a São Paulo e Brasília.

Destruição. O fenômeno que atingiu a cidade entre a noite do dia 12 e a madrugada do dia 13 de janeiro foi considerado uma tromba d'água. A massa líquida escorreu pelas encostas da serra e desceu como uma onda pelo Rio Palmital, arrastando pedras, troncos e lama sobre a cidade. Árvores imensas foram quebradas ou arrancadas com a raiz. Pedras do tamanho de uma casa rolaram como seixos. A cidade, de 3.219 habitantes, está em estado de calamidade pública, reconhecido pela Defesa Civil pelo prazo de 180 dias.

Parentes dos mortos se encontram no pequeno cemitério, onde a maioria das vítimas foi enterrada. As duas pessoas não encontradas foram dadas como mortas. Na região central, pelo menos vinte estabelecimentos comerciais afetados pelas águas não voltaram a abrir.

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