Um mês após tragédia do vôo 3054, 5 famílias esperam por corpos

Desde o dia do acidente, o IML já conseguiu identificar 194 vítimas do desastre aéreo

Fernanda Aranda, do Jornal da Tarde,

17 de agosto de 2007 | 00h15

Ele foi o único aplaudido por uma platéia inteira, em pé. Enquanto as autoridades discutiam sobre os rumos da tragédia do vôo 3054, Ildercley Ponce Leão juntava forças para falar em público sobre "a dor que não passa". Passados 30 dias do maior acidente da aviação brasileira, esse empresário de Manaus (AM) ainda não conseguiu enterrar seu filho caçula, Levi Leão, de 1 ano e 8 meses. O menino morreu no colo da mãe, Jamile, de 21 anos, cujo corpo foi identificado no último dia 11. Veja tambémQuem são as vítimas do vôo 3054 Todos os vídeos da tragédia  Todas as fotos do acidente  Especiais produzidos sobre a tragédia Tudo sobre a tragédia do vôo 3054  Maiores desastres da aviação brasileira Cronologia da crise aérea  Além de Ildercley, parentes de outras 4 vítimas ainda enfrentam "um velório constante sem corpo" como eles mesmos denominam. Entre as 199 vítimas, os passageiros Andrei Melo, Ivalino Bonato, Rodrigo Benachi e a comissária Michele Leite ainda não foram reconhecidos pelo Instituto Médico-Legal (IML). "Pode parecer incoerente e estranho, mas todos os dias a gente fica esperando um telefonema, com a esperança de que pelo menos um fragmento de Levi seja reconhecido", disse um tio do menino. "É preciso materializar a morte." Os familiares que já reconheceram suas vítimas agora dão força para quem ainda não conseguiu fechar o ciclo de angústia. "A gente fala com eles toda hora, telefona, tenta dar ajuda", disse Roberto Gomes, irmão de Mário Gomes, um dos passageiros. "Eu precisei esperar 20 dias para poder enterrar meu irmão. Você não imagina a dor de não poder dizer adeus." No final da reunião com o ministro da Justiça, Nelson Jobim, os médicos-legistas reuniram-se com um grupo de familiares. "A nossa responsabilidade é do tamanho dessa tragédia", disse Celso Perioli, superintendente da Polícia Técnico-Científica. "A nossa missão só estará cumprida quando os 199 forem reconhecidos." Memória No dia 17 de julho, o Airbus A320, prefixo MBK, que levava o vôo JJ 3054, da TAM, com 187 passageiros, tentou aterrissar na pista principal do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A tentativa, no entanto, se transformou no maior acidente aéreo da história do País - deixando um saldo de 199 mortos. A aeronave, comandada pelo piloto Kleyber Lima, que no dia do acidente era auxiliado pelo co-piloto Henrique Stephanini Di Sacco, deveria ter pousado corretamente às 18h48min26s, na pista principal. No entanto, os pilotos não conseguiram parar o avião, que atingiu um prédio da TAM Express, na Avenida Washington Luís, em frente ao aeroporto. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Aeronáutica, é o órgão responsável pela investigação das causas do acidente. O tenente-coronel-aviador Fernando Camargo, que preside a comissão responsável pela investigação no Cenipa, afirmou que a investigação sobre o acidente com o vôo 3054 da TAM deve ser longa.

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