Um médico para 30 pacientes em Guarulhos

PS da cidade que terá profissionais do programa federal tinha espera de até 4 horas ontem

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2013 | 02h02

Uma das 47 cidades do Estado de São Paulo que vão receber profissionais brasileiros e estrangeiros do programa Mais Médicos do governo federal, Guarulhos, na Região Metropolitana, exemplifica a necessidade de profissionais voltados para o atendimento da população. Ontem, na recepção do Hospital Municipal de Urgências (HMU), um dos principais prontos-socorros da segunda maior cidade do Estado, 30 pessoas aguardavam na fila, algumas estavam mais de quatro horas, para atendimentos básicos.

Nas salas de atendimento da recepção, apenas um médico se desdobrava para dar conta da demanda. "O médico fica na sala, atende três pessoas em 15 minutos, atende as três, aí sai. Ou porque alguém chamou na emergência, ou porque precisa acompanhar uma internação, e a gente fica aqui, sentado, só esperando", disse o auxiliar de almoxarifado Daniel Pereira Bispo, de 38 anos, que aguardava atendimento ontem.

Bispo tinha procurado o hospital porque estava com tosse havia dois dias. O mesmo sintoma foi relatado por outros dois pacientes com quem a reportagem conversou. Apenas os casos realmente graves, envolvendo febre ou, por exemplo, um idoso que não conseguia urinar pelo terceiro dia, conseguiam prioridade. Após passar por uma triagem, tinham o caso diagnosticado como "mais urgente" e, por isso, eram atendidos com relativa pressa.

"Eu já tinha ido ao posto de saúde perto da minha casa. Mas lá marcaram a consulta com um clínico geral para setembro. Mas minha tosse não melhorou, então precisei vir para cá", contou a dona de casa Maria Assunção Costa Santos, de 58 anos, que também esperava havia três horas para ser atendida na recepção do HMU.

Por causa da demora, tinha paciente já cogitando ir embora sem ser atendido. "Eu já estava tomando remédio, mas a tosse e a garganta raspando não melhoram. Por isso vim para cá. Vim com meu filho mais velho, mas o menor está sozinho. Por isso, acho que vou ter de ir embora", explicou a manicure Tania Silva Souza Damaceno, de 27 anos.

Quadro cheio. O atendimento prestado por um único médico não foi uma situação decorrente da ausência de profissionais escalados para trabalhar.

A reportagem apurou que o quadro de médicos daquele hospital estava completo ontem: quatro profissionais trabalhavam, de acordo com a escala. Mas emergências (que, na verdade, são cotidianas para um hospital de urgências) fizeram com que nem todos pudessem atender a população.

Um deles teve de acompanhar a remoção de um paciente grave para outra instituição. Outro foi deslocado para o setor de urgências, para acompanhar um caso grave que chegou ao hospital por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O terceiro, que havia entrado de manhã, teve de sair por volta das 17h30 para almoçar - o que ainda não tinha conseguido fazer mais cedo. Sobrou para o quarto médico dar conta da demanda enquanto os colegas não retornavam.

A reportagem tentou contato com a Secretaria de Comunicação da prefeitura de Guarulhos, mas ninguém atendeu os telefonemas feitos pelo Estado.

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