Um esporte em que só entram garotas

Só meninas podem participar desse esporte. Aos homens restam as funções de treinador e juiz. Os patins são do tipo quad, com duas rodinhas na frente e duas atrás. É obrigatório que as jogadoras usem capacete, joelheiras, cotoveleiras, munhequeiras e protetor bucal. "Para garantir a segurança", explica Juliana Bruzzi, a Beki Band-Aid, antes de lembrar que o esporte não é violento.

Cristiane Bonfim, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2011 | 00h00

"As pessoas acham que tem violência, mas não é assim. O contato é permitido e as quedas podem ocorrer. Tudo tem regra", explica Beki.

Ela já tinha tentado quase todo tipo de esporte e atividade física. Fez natação, musculação, street dance e até lambada quando era bem mais nova. "Mas tudo parecia obrigação e eu desistia logo. Por ser carioca, sempre sentia aquela pressão para ter o corpo em forma e uma vida saudável", lembra ela, que vive na capital paulista desde 1999.

Em 2007, pesquisando na internet, ela descobriu o roller derby. Achou fantástico, mas para poder praticar precisava, em primeiro lugar, aprender a andar de patins. "Demorou um tempo até que encontrei uma academia especializada em esportes diferentes, que tinha aula de patinação", conta a produtora de cinema. Nesse período, estudou as regras do esporte e se informou sobre os equipamentos de proteção.

Com patins nos pés, em agosto de 2009 fundou com uma amiga a Ladies Of Hell Town, a primeira liga do esporte em São Paulo. Foi nesse ano que chegou ao Brasil um de seus filmes favoritos sobre o assunto, o Garota Fantástica, dirigido por Drew Barrymore. O próximo passo foi divulgar a liga e escolher um local para o treino. Criaram então o blog da liga (ladiesofhelltown.wordpress.com) e definiram a marquise do Parque do Ibirapuera como ponto de encontro. "Não há pistas adequadas no Brasil. Tivemos de improvisar", conta Beki. A "quadra" foi demarcada com fitas coloridas no piso.

Durante o treino, as garotas aprendem a patinar com velocidade e até a melhor forma de cair. "Difícil é ajeitar a postura para andar de patins para o derby", explica Coach D. Araque. Ele lembra que o esporte não exige um tipo físico específico. Podem participar altas e baixas, magrinhas e gordinhas. "Todas as características físicas são aproveitadas no jogo. Então, não tem desculpa."

PARA ENTENDER

Nas décadas de 1960 e 1970, o roller derby era uma espécie de espetáculo teatral, onde o principal não era a competição, mas as encenações exageradas dos movimentos e brigas. O visual, com base na moda retrô e punk, sempre foi parte importante.

No fim da década de 1990, o esporte ganhou regras e se espalhou pelo mundo: já são mais de 200 ligas.

No Brasil, ainda não são realizadas competições, mas foram criadas ligas em Piracicaba (SP), Rio, Espírito Santo e Amazonas.

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