Um em cada seis paulistanos vive em favela

400 mil famílias, quase 2 milhões de pessoas, ocupam área de 30 km2 de barracos

Sérgio Duran, do Estadão

14 de julho de 2007 | 20h32

Um em cada seis paulistanos vive hoje em favela. No total, 400 mil famílias - entre 1,6 milhão e 2 milhões de pessoas - ocupam um território de 30 quilômetros quadrados de barracos, em 1.538 ocupações. É uma população comparável à de Curitiba (PR), com 1,78 milhão de pessoas. Há três anos, quando foi realizado o último estudo do tipo, 290 mil famílias, ou 1,3 milhão de habitantes, viviam nessa situação na capital.A explicação para o aumento de 38% dessa população, dizem os especialistas, não está na intensificação da pobreza, mas principalmente no crescimento vegetativo. Com uma curiosidade: a área ocupada pelas favelas continuou praticamente a mesma. Mas elas incharam e se verticalizaram.As conclusões fazem parte de um estudo inédito feito pela Prefeitura em parceria com a organização internacional Aliança de Cidades, financiada pelo Banco Mundial. Os resultados, aos quais o Estado teve acesso com exclusividade, servirão para nortear as políticas de urbanização de favelas em São Paulo nos próximos anos. A partir de dezembro, também estarão disponíveis na internet (www.habisp.inf.br).PesquisaA pesquisa mais recente sobre favelas em São Paulo foi realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) há quatro anos. Entre as constatações, estava a de que essas ocupações dominam 2% do território da cidade, de 1,5 mil km².Feito com base no Censo das Favelas de 1987 e fotos de satélite, o estudo do CEM constatou ainda a existência de 2.018 ocupações. A superintendente de Habitação Popular de São Paulo, arquiteta Elisabete França, responsável pelo novo estudo, acredita que, apesar de as pesquisas terem métodos diferentes, o mais provável é que ambas estejam corretas. "Houve conurbação. Agrupamentos pequenos se uniram em grandes complexos", diz.As favelas da capital já foram alvo de vários estudos. O que diferencia o atual de todos os outros é que a maioria não foi a campo. "Eram espécies de atualizações do Censo de 1987", diz Elisabete. Desta vez, não. A Prefeitura contratou a Fundação Seade para verificar in loco a situação da população.A constatação de peculiaridades da vida dessa população permitiu à pesquisa estabelecer uma pontuação de zero a dez para as condições de infra-estrutura das ocupações - da distribuição de energia elétrica à coleta de lixo. Dados como vulnerabilidade social, saúde e renda média das famílias são cruzados com mapas da geologia do terreno. Finalizado o trabalho, qualquer um poderá ter acesso a informações completas de cada uma das ocupações da capital, com direito a foto aérea e mapa.O estudo também mapeou 1.856 loteamentos clandestinos na cidade, mas as informações sobre a população deles é ainda incipiente. A parte mais detalhada da pesquisa, sob responsabilidade da Fundação Seade, está em fase de tabulação.

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