Um dia após tragédia, polícia prende 2 donos da boate e 2 integrantes da banda

À polícia, ninguém admite ter acendido fogo de artifício l Delegado confirma que equipamento foi a causa do fogo l 82 jovens são enterrados l Outros 75 ainda correm risco de morrer l Centenas de voluntários e militares trabalham para atenuar tragédia

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2013 | 02h10

Um dia após a tragédia que chocou o País, matou 231 pessoas e feriu em 129 em Santa Maria, no interior gaúcho, quatro pessoas foram presas: dois sócios-proprietários da casa noturna Kiss e dois integrantes da banda que se apresentava no momento do incêndio. Três deles - o empresário Elissandro Spohr, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o carregador de instrumentos Luciano Bonilha - haviam saído da cidade, por medo de serem linchados, e foram detidos de manhã. O outro sócio da boate, Mauro Londero Hoffmann, se apresentou à polícia à tarde e também foi preso. Spohr estava em Cruz Alta, a 132 km de Santa Maria. Santos e Bonilha foram encontrados em Malta, a 80 km.

Bonilha é acusado de acender o "sputnik", fogo de artifício que solta faíscas brilhantes e, ao atingir o material inflamável no teto da boate, deu início ao fogo. À polícia, no entanto, ele não admitiu tê-lo usado. "O que temos de concreto é que o sinalizador foi usado e as portas não deram vazão à saída das pessoas", disse o delegado titular da 3.ª Delegacia Regional de Santa Maria, Marcelo Arigony.

Segundo ele, a prisão temporária das quatro pessoas é de caráter cautelar e serve para contribuir para a apuração dos fatos. Os sócios-proprietários da boate são acusados de não apresentar imagens das câmeras de segurança nem registros do caixa, que poderiam configurar a superlotação na casa - com capacidade para mil pessoas, a polícia estima que a Kiss abrigava 1,5 mil na hora do incêndio. Já os músicos foram detidos por fugir da cidade. "Se eles forem os responsáveis, eles serão punidos. Foram presos para investigação", afirma o delegado.

Ontem, 82 jovens foram enterrados no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria. As covas foram cavadas por cerca de 150 soldados do Exército, antes de o sol nascer. Nas ruas da cidade, quase todo estabelecimento comercial tinha uma fita preta na porta, em luto pelos mortos. O tratamento dos feridos é feito pelo sistema de saúde mobilizado para a tragédia e pelas Forças Armadas. Só a Força Aérea enviou 64 médicos e enfermeiros. Na cidade de Santa Maria, voluntários da cidade e de várias outras partes do Brasil ajudam as famílias das vítimas.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 75 feridos estão em estado crítico e ainda correm risco de morrer nos hospitais. E a pneumonia química ameaça mesmo quem conseguiu escapar, mas teve contato com a fumaça tóxica. Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff cobrou mais fiscalização em locais fechados com concentração de pessoas. Já o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), anunciou que vai criar uma comissão para redigir uma proposta de lei nacional de segurança em edificações. / DIEGO ZANCHETTA, ELDER OGLIARI, LUCAS AZEVEDO E TÁSSIA KASTNER, ESPECIAL PARA O ESTADO

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