Um dia após Alckmin falar em queda no nº de mortes, 16 são executados

Um dia depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmar que a violência está diminuindo, a Grande São Paulo teve 16 mortes em 17 horas, o dobro da média diária da região. Esse é o ápice da violência desde o início da guerra não declarada entre a Polícia Militar e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

ARTUR RODRIGUES , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h06

A sensação de medo da população foi intensificada por um ônibus incendiado com um cobrador dentro, interrupção do transporte coletivo, troca de tiros entre PM e bandidos num QG do crime e fechamento de escolas por toque de recolher. Depois de ondas de mortes nas regiões norte e leste, o foco da violência, desta vez, foi a zona sul da capital, com seis mortes.

Em um intervalo de meia hora, homens em uma moto preta mataram três pessoas e espalharam pânico pelo Jardim São Luís. Na Rua Bacio de Filicaia, por volta das 23h30, o autônomo Adauto Vieira Andrade, de 27 anos, saiu para fumar um cigarro e foi baleado pelo menos dez vezes por dois motoqueiros. Ali perto, Fábio Junior Primo Fonseca, de 17 anos, dirigia um Honda Prata quando foi baleado 11 vezes por dois homens em uma moto na Avenida José Xavier. Minutos depois, o desempregado Ramon Silva, de 23 anos, foi morto com oito tiros.

Na mesma região, outras duas pessoas foram baleadas por motoqueiros. Ainda na zona sul, dois homens em uma moto atiraram contra um grupo de pessoas que estava na frente de um sacolão na Rua Indochina, Cidade Dutra. O alvo dos atiradores era William da Silva. Mesmo baleado, ele correu e foi alcançado na Rua Afonso Albuquerque, onde acabou executado.

Também na zona sul, um ônibus biarticulado da Viação Cidade Dutra foi incendiado perto dali e, por causa disso, o transporte público na região do Grajaú foi interrompido. Já no Campo Belo PMs mataram dois suspeitos de assalto a uma residência durante uma troca de tiros.

Na zona leste, pelo menos duas pessoas morreram, uma delas durante uma troca de tiros com a PM, que descobriu um QG do PCC. Na mesma região, dois homens em uma moto roubada foram baleados em uma suposta troca de tiros com PMs - um morreu. Em Santana de Parnaíba, três morreram. /COLABOROU RICARDO VALOTA

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