Um defensor com atração pelos holofotes e pelas polêmicas

Ércio Quaresma, ADVOGADO DO GOLEIRO BRUNO FERNANDES

Tiago Dantas e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

O advogado de defesa do caso Bruno nasceu em 1963, no Rio de Janeiro. Entrou para a polícia mineira em 1986 e saiu em 1989, após uma greve. Formou-se em Direito e tornou-se advogado criminalista, mas sempre com uma queda para a polêmica. Atuou no caso do assassinato de Dorothy Stang e no massacre de Eldorado dos Carajás. "A imprensa chama o caso de massacre. Eu chamo de mentira", costumava dizer.

Se continuar no caso, manterá o conflito com um velho conhecido: o delegado Edson Moreira, de 51 anos, que busca provas para indiciar o goleiro Bruno Fernandes por cárcere privado e homicídio. Quaresma foi um investigador subordinado a Moreira na Polícia Civil de Minas no fim dos anos 1980. Seria comum que o convívio diário por três anos tivesse criado laços de amizade entre os dois profissionais. "Há 30 anos, éramos amigos. Hoje eu não sei. É melhor perguntar para o doutor Edson", ironizou o advogado. Moreira nem chegou a comentar o assunto.

Acostumado a trabalhar até tarde, não poupa nem as horas de descanso para participar ao vivo de programas matutinos de televisão. Menos de seis horas após o primeiro depoimento de Bruno em Belo Horizonte, na madrugada de 9 de julho, lá estava Quaresma dando entrevista. Para não se atrasar, pediu para um produtor acordá-lo meia hora antes de o programa ir ao ar. "Vocês (repórteres) enchem meu saco, mas gosto de vocês", disse o advogado, em conversa informal.

Quaresma ainda fuma compulsivamente. Em um bate-papo de menos de 30 minutos, acendeu pelo menos cinco cigarros Dunhill. Outro costume do advogado é falar sobre si mesmo. "Eu sou a pior coisa que meus clientes podem enfrentar. Acabo com eles. O Macarrão (braço direito de Bruno, também acusado) ficou amedrontado depois de uma conversa de três horas."

Muito eloquente, o criminalista usa, por vezes, palavras pouco conhecidas, como bucéfalo - o mesmo que chamar alguém de cavalo. Não há uma semana da cobertura do caso que não termine com alguma declaração polêmica dele. O advogado de Bruno sugeriu até que Eliza estaria viva. "Ela pode aparecer a qualquer momento."

Além das polêmicas, porém, não faltaram os "escorregões" na carreira do defensor. O caso mais lembrado ocorreu em 2002, no episódio que ficou conhecido como "o caso dos R$ 0,20". O advogado foi condenado a pagar R$ 20 mil por xingar um juiz de "mentiroso", depois que o magistrado não aceitou um pedido de relaxamento de prisão. O advogado tentava liberar um eletricista que devia R$ 718,20 de pensão alimentícia. Como ele pagou R$ 718, sem os centavos, o juiz não permitiu que fosse solto, provocando os xingamentos do defensor.

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