Um bairro planejado, pelo menos no papel

Projeto de ONG com ruas acessíveis e calçadas largas esbarra na burocracia

Valéria França, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Calçadas estreitas, sem acessibilidade e cheias de buracos são alguns dos problemas encontrados pelos pedestres na Vila Olímpia. Na hora do almoço, não comportam o volume de pessoas. As ruas também são apertadas e os congestionamentos, inevitáveis nos horários de pico. Na época de chuvas fortes, ainda há problemas com alagamentos. Mas o cenário poderia ser diferente.

Em 2002, comerciantes, moradores e empresários decidiram criar um projeto urbanístico no bairro. Para isso, montaram um grupo de estudo, o Colmeia. Daí surgiu um projeto-piloto, com quatro ruas que seriam o modelo ideal de urbanismo.

Além de melhorar a qualidade de vida, as mudanças propostas pelo grupo também tinham o intuito de valorizar o bairro. "Conseguimos implementar alguns pontos do projeto ao longo das administrações que assumiram a cidade nesses anos", conta o arquiteto Roberto Aflalo Filho, diretor do Colmeia. "Mas muita coisa não saiu do papel."

Os andares térreos dos edifícios funcionariam como uma espécie de praça, que integraria o espaço privado ao passeio público e daria uma sensação de amplitude. As ruas deixariam de ser labirintos estreitos e murados. Em algumas construções haveria até a possibilidade de serem abertas passagens para os pedestres, que uniriam duas ou mais ruas. "Isso encurtaria a caminhada, uma vez que os quarteirões são compridos, com mais de 600 metros de extensão", diz Adalberto Bueno Filho, também integrante do Colmeia. Os arquitetos do grupo aplicaram o conceito urbanístico aos projetos individuais que assumiram, caso do E-Tower, de Aflalo, que tem o térreo integrado à calçada. "Mas, infelizmente, há muitos construtores levantando empreendimentos residenciais murados."

Quando a Prefeitura resolveu revitalizar a Rua Olimpíadas, o Colmeia apresentou sugestões. "O projeto municipal original tinha quatro faixas para automóveis de cada lado da via e calçadas com 3 metros de largura", conta Aflalo. O grupo propôs que a Prefeitura reduzisse uma faixa da via para aumentar a calçada. A obra saiu com apenas três faixas para veículos, passeios acessíveis com seis metros de largura, sem postes de iluminação e com área verde.

Ficou no papel, no entanto, a proposta de criar uma garagem no subsolo, com administração da Prefeitura. "Esbarramos em questões burocráticas", afirma Aflalo. Também não vingou a sugestão de prolongar a rua até a Marginal do Pinheiros nem a de criar uma praça, com terrenos doados por empreendedores da região.

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