Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Um ano e meio depois, Cantareira sai do volume morto

Principal sistema hídrico de São Paulo atingiu nesta quarta índice de 29,3% da capacidade e recuperou a água da reserva profunda

Fabio Leite, Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2015 | 09h33

SÃO PAULO - Após chuvas acima da média nos últimos meses, racionamento e redução do consumo, o Sistema Cantareira voltou a operar no azul um ano e meio após entrar no volume morto. Os reservatórios que compõem o manancial atingiram o índice de 29,3% da capacidade, o suficiente para deixar de captar água da reserva profunda, segundo relatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), informado nesta quarta-feira, 30.

Mesmo com a recuperação do manancial, que está há mais de dois meses sem sofrer queda, a população deve continuar sofrendo cortes de abastecimento pelo terceiro ano consecutivo. A exploração do Cantareira, atualmente de até 18 mil litros por segundo, permanece limitada à metade da capacidade de produção do sistema, de 35 mil l/s.

 

Embora o sistema inicie 2016 em uma situação melhor do que a de 2015, quando o nível estava 21% abaixo de zero, a quantidade de água armazenada nas represas ainda é 44% menor do que em janeiro de 2014, ano marcado pela crise hídrica.

Há incertezas sobre o comportamento climático e o atraso nas obras para ampliar o estoque da Grande São Paulo. As projeções, contudo, são mais otimistas agora porque, depois de registrar o ano mais seco da história, o Cantareira encerra o último mês de 2015 com uma entrada de água (52 mil l/s) igual à média histórica de dezembro, o que não acontecia desde julho de 2012. Só em novembro e dezembro, meses em que choveu 15% acima do esperado, o Cantareira somou 130 bilhões de litros, mais da metade dos 220 bilhões de saldo acumulado no ano.

Ao longo de 2015, o Cantareira recebeu o dobro do volume de água de 2014. Entraram cerca de 711 bilhões de litros nos reservatórios, o equivalente a 70% da capacidade do sistema, enquanto que no primeiro ano da crise hídrica foram 357 bilhões. Mas só a chuva seria insuficiente para garantir a recuperação parcial do sistema. 

Cálculos feitos pelo Estado a partir de dados da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que se a Sabesp tivesse mantido em 2015 o nível de exploração de água de 2014, o manancial teria perdido 34 bilhões de litros, em vez de ter acumulado 220 bilhões. Com a política de racionamento, a redução do consumo pela população e a exploração de outros sistemas, a companhia retirou 40% menos água do manancial neste ano do que em 2014.

Histórico. Quando o Cantareira passou a depender do volume morto, no dia de 10 de julho de 2014, a Sabesp retirava 22 mil l/s das represas, que recebiam dos rios afluentes apenas 6,4 mil l/s. Só naquele mês, o déficit do sistema foi de 50 bilhões de litros. Já em dezembro de 2015, o saldo foi inverso. Entraram 51,9 mil l/s e saíram 15 mil l/s, um saldo de 98 bilhões de litros.

A primeira cota do volume morto, de 182,5 bilhões de litros, foi adicionada ao cálculo da Sabesp em maio de 2014, o que fez o nível do manancial saltar artificialmente de 8,2% para 26,7%. Cinco meses depois, outra reserva profunda, de 105 bilhões de litros, seria acrescentada. Dessa vez, o sistema subiria de 3% para 13,6%.

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