Um ano depois, AL e PE voltam a sofrer inundações

Em uma semana, os dois Estados já têm 3 mortos, 14 cidades em situação de emergência e mais de 51 mil pessoas prejudicadas

Ricardo Rodrigues / Maceió e Angela Lacerda / Recife, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2011 | 00h00

Cidades de Alagoas e Pernambuco que foram devastadas pela chuva no ano passado voltaram a sofrer com temporais nesta semana. No primeiro Estado, uma criança morreu e pelo menos 6 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes. Dez municípios decretaram situação de emergência, a maioria na Zona da Mata e no litoral. Já no segundo foram registradas duas mortes e 45 cidades atingidas - quatro também estão em emergência. Há 75 mil pessoas afetadas.

A cidade de Jacuípe, em Alagoas, é um exemplo das que viram os transtornos se repetir. Lá, 70% das casas estão inundadas. Apesar da cheia do ano passado, muitos moradores continuavam morando em áreas de risco. No ano passado, 19 municípios do Vale dos Rios Mundaú e Paraíba foram afetados pelas chuvas. Além de Jacuípe, Japaratinga, Colônia Leopoldina, Jundiá, Novo Lino, São Luis do Quitunde, São Miguel dos Milagres, Campestre, Porto de Pedras e Paripueira decretaram situação de emergência.

A situação das famílias que moram nos municípios atingidos é dramática. Além das perdas materiais, moradores sofrem com a falta de água potável e energia elétrica. Muitos foram levados para abrigos coletivos. O governo do Estado aguarda a chegada de 18 toneladas de alimentos que foram comprados e a Defesa Civil Nacional também informou que enviará ajuda, mas o problema é emergencial. "Quando as pessoas deixam suas casas, tomadas pelas águas, saem com a roupa do corpo. Não dá tempo de levar água, alimentos, agasalho, colchões. Nos abrigos, todos precisam de tudo", diz o capitão Rômulo Guedes, coordenador de Comunicação do Corpo de Bombeiros. "A Defesa Civil tem barracas e caixas d"água que sobraram das doações de 2010, mas é material de infraestrutura. Não temos nada para atendimento imediato, como água potável, cobertores e remédios."

Outro Estado. Em Pernambuco, menos de um ano depois de transbordarem e deixarem 26 mil desabrigados e 20 mortos, os rios da Zona da Mata e da região metropolitana - Una, Capibaribe, Pirangí e Mundaú, entre eles - voltaram a subir. Duas mortes foram confirmadas. "A situação não chega a se comparar com 2010, mas é muito grave", afirmou o prefeito de Água Preta, Eduardo Passos (PSB). Em emergência, o município já tem cerca de dois mil desabrigados. "Na parte baixa da cidade, cerca de 70% das casas foram inundadas pelo Rio Una", disse.

Otacílio Alves Cordeiro (PSB), prefeito de Catende, também em emergência, prevê dificuldades. "Com a nova cheia, as pessoas me cobram as casas que foram prometidas para quem perdeu suas moradias no ano passado", disse. Foram prometidas 1.035 casas, mas o terreno ainda não foi desapropriado. Em Barreiros, dez bairros foram inundados e o comércio foi invadido pelas águas. Muitos moradores tiveram de ir para a casa de parentes e amigos no município vizinho de São José da Coroa Grande. Outra parte está em 18 abrigos.

R$ 1 bi de verba federal

O plenário do Senado aprovou ontem medida provisória que prevê ajuda de R$ 1 bilhão a municípios de Pernambuco, Alagoas, Rio e outros Estados atingidos por desastres naturais.

Afetados

3.934

famílias estão desabrigadas em Pernambuco. Já as desalojadas somam 7.184

27

pessoas morreram em virtude das chuvas em Alagoas no ano passado. Em Pernambuco, foram registradas 20 mortes em 2010

114

imóveis ficaram totalmente destruídos em Alagoas

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