NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Um ano após tentativa de estupro, aluna da USP recebe ameaças

Em sua página em uma rede social, Luísa Cruz, de 25 anos, relatou ter recebido neste mês um bilhete anônimo de intimidação

Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2015 | 22h58

SÃO PAULO - Um ano após sofrer tentativa de estupro na Cidade Universitária, uma aluna de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) foi vítima de novas ameaças dentro do câmpus. Em sua página em uma rede social, Luísa Cruz, de 25 anos, relatou ter recebido neste mês um bilhete anônimo de intimidação. A jovem também teve seu e-mail invadido na semana passada. 

Entre março e agosto de 2014, Luísa havia sido alvo de bilhetes anônimos, colocados em sua mochila ou no vidro de seu carro, com ameaças. Embora tenha alertado a polícia e as autoridades da USP, de acordo com ela, nada foi feito. 

Em agosto daquele ano, Luísa foi atacada perto do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O homem agarrou a estudante pelo pescoço e a forçou a entrar no próprio carro. A vítima só foi salva porque conseguiu acionar a buzina do veículo com o joelho. O agressor, segundo ela, fugiu sem que ela pudesse ver o rosto. 

O trauma mudou a rotina da garota. "Tranquei minhas aulas no período noturno, o que atrasou minha formatura. Fiz um esquema com meus amigos para nunca ficar sozinha", relatou ao Estado. "Também busquei tratamento por minha conta", acrescentou. 

Mais de um ano depois do episódio de violência, novos recados intimidadores foram enviados à jovem. No vidro do seu carro, havia um bilhete que dizia "enquanto você estiver aqui, estarei". Poucos dias depois, ela teve seu e-mail invadido e recebeu uma mensagem enviada pela própria conta. No texto, havia novas ameaças - o agressor dizia saber sua rotina e onde ela morava.

Assustada, Luisa resolveu tornar público o caso. "Passei novamente por essa exposição, que é difícil, para me proteger", afirmou. Em outubro do ano passado, ela já havia revelado a tentativa de estupro nas redes sociais. De acordo com a universitária, a iniciativa também pode encorajar outras mulheres intimidadas. 

Medidas. A Superintendência de Segurança da USP informou que, em outubro de 2014, "a moça, o pai e o namorado foram recebidos e relataram o caso. Um assessor e alguns guardas universitários foram com ela até o estacionamento da FAU para levantar mais dados. Foram feitas cópias dos bilhetes e a moça ficou de enviar o boletim de ocorrência registrado. Depois disso, a Superintendência não foi mais procurada, mas está à disposição da aluna." Luísa afirma ter encaminhado os documentos.

A reitoria ainda informou que a Comissão de Direitos Humanos da USP tomou conhecimento do caso e convidou Luísa para participar de uma reunião com representantes do órgão, da Superintendência de Segurança e da Ouvidoria na próxima quarta-feira, 4. A jovem que não foi oficialmente comunicada, mas já soube do convite.

A Secretaria de Segurança Pública informou que a tentativa de estupro ainda é investigada pela polícia. Também reiterou que é importante registrar outro boletim de ocorrência em casos de novas ameaças. A estudante afirma ter feito registro das intimidações recentes. 

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