Um ano após polêmica, ‘rolezinho’ vira negócio

Encontro de jovens que ocorria nos shoppings agora é convocado para praças, sob supervisão da Prefeitura; shows reúnem até 8 mil pessoas

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2014 | 06h00

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“Nós transformamos o ‘rolezinho’ em algo para a comunidade.” A afirmação é de Jonathan David, de 22 anos, o MC Chaverinho. Um ano depois de virar polêmica na cidade, os encontros de adolescentes migraram dos shoppings para as praças. A brincadeira, que teve início com adolescentes cantando funk nos centros comerciais, tornou-se trabalho e negócio. 

 

Se em 2013 os “rolezinhos” foram até proibidos por liminar da Justiça e mobilizaram tropas da Polícia Militar, por causa de episódios de violência, agora tentam apresentar-se como alternativa cultural. Chaverinho e outros parceiros MCs, chamados pela Prefeitura de São Paulo, criaram a Associação Rolezinho: a Voz do Brasil e firmaram acordo com a Secretaria Municipal de Igualdade Racial, no início do ano. De lá para cá, foram organizadas nove edições do chamado Rolezinho da Cidadania, que passou por bairros como Artur Alvim e Guaianases, na zona leste, e Parelheiros e o Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. 

 

De acordo com a pasta, foram gastos cerca de R$ 60 mil na estruturação dos eventos - palco, som, posto médico, iluminação, gerador e banheiros químicos -, além de R$ 10 mil em contratações artísticas. Alguns dos cantores que participam, segundo Chaverinho, são da periferia - e todos recebem cachê. 

“A própria Prefeitura pediu que a gente criasse uma associação”, afirma o organizador de eventos Ricardo Sucesso, de 28 anos. “Os ‘famosinhos’ que chamavam para fazer ‘rolezinho’ no shopping agora divulgam o que vai acontecer na praça.”

 

 

Segundo o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Antonio da Silva Pinto, a associação não recebe remuneração e a Prefeitura só faz repasses para os artistas dos eventos. Para 2015, a previsão é de que os eventos sejam feitos duas vezes por mês, intercalando espaços na periferia e na região central. 

Além das apresentações artísticas, Sucesso destaca que o espaço também se tornou lugar para ações com a população. “As pessoas vão para cortar o cabelo e tirar documentos, por exemplo. Acabou atraindo o público ao redor.” E as festas não podem acabar tarde - são programas para encerrar, no máximo, às 20 horas, aos sábados ou domingos. O público, de acordo com os organizadores, fica entre 2 mil e 8 mil pessoas. 

Estreia. O jovem Darlan Mendes, de 25 anos, é o responsável por fazer a articulação com os moradores. “Somos vitoriosos. São eventos sem brigas, violência ou ocorrência policial”, afirma. Ele identifica os potenciais artistas pela popularidade nas redes sociais e os convida para participar dos shows. 

O estudante Rodney Chades, de 15 anos, teve a oportunidade de subir em um palco pela primeira vez em março, no novo “rolezinho” em Artur Alvim, bairro onde vive. “Canto desde os 10 anos.” O adolescente, que compõe letras sobre produtos de marca e mulheres bonitas, diz que foi só o “pontapé inicial”. “Já fui até para outras cidades e ganhei entre R$ 300 e R$ 400 nos shows.”

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