Um ano após demolição, terreno do São Vito está abandonado

Prefeitura ainda não enviou texto para Câmara votar projeto de lei que permitiria construção de prédio do Sesc no local

TIAGO DANTAS / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h40

A demolição dos Edifícios São Vito e Mercúrio, no centro de São Paulo, terminou há mais de um ano. Porém, a construção de unidades do Sesc e do Senac, primeiro passo para um projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II, anunciado pela Prefeitura no ano passado e orçado em cerca de R$ 1,5 bilhão, não tem prazo para começar.

O Sesc só pretende contratar um escritório de arquitetura para desenvolver o projeto executivo do seu novo prédio quando tiver a posse do terreno assegurada. Para isso, a Câmara Municipal precisa aprovar um projeto de lei de concessão de uso da área onde ficava o São Vito. A Prefeitura informou que pretende enviar o texto para análise dos vereadores nos próximos dias.

"Antes de investir, precisamos ter certeza do compromisso", afirma o coordenador de Planejamento do Sesc, Sérgio José Battistelli. "Sabemos que há um empenho muito grande da Prefeitura para enviar o projeto de lei o mais rápido possível", diz. Segundo ele, após a concessão do terreno, seriam necessários de quatro a cinco anos para a unidade ser aberta ao público.

Lentidão. Nos 13 meses em que o projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II avançou apenas nas etapas burocráticas na Prefeitura, poucas mudanças foram notadas no terreno por comerciantes da vizinhança. Os tapumes de ferro e madeira que cercavam o quarteirão foram arrancados por moradores de rua interessados em vender as peças e o mato cresceu, dando à área a impressão de um terreno baldio.

"A paisagem melhorou. Agora não vejo mais aquele prédio horrível quando saio da minha loja. E acabou aquela maloca que existia ali, mesmo quando o prédio estava fechado", diz o comerciante Gerson Melo, de 39 anos. A vendedora Zélia de Souza, de 35 anos, acompanhou todo o processo de demolição, iniciado em junho de 2010. "Ficou melhor sem o prédio, mas acho que tinham de colocar alguma coisa no lugar. Cadê a obra que iam fazer aí?"

Atalho. Sem os tapumes, a quadra do São Vito serve para quem sai do Mercado Municipal ou da Rua 25 de Março e quer cortar caminho até o estacionamento de ônibus sob o Viaduto Diário Popular. A aposentada Clara Medeiros dos Santos, de 55 anos, era uma das pessoas que se arriscavam a passar no meio do mato alto, de buracos e poças d'água para cortar caminho. "Está feio, mas é mais rápido ir por aqui."

O viaduto deverá ser demolido em fevereiro do ano que vem, quando termina a construção de um pontilhão sobre o Rio Tamanduateí, que será usado pelos ônibus que saem da zona leste com destino ao Terminal Parque Dom Pedro II - o contrato para o pontilhão foi assinado anteontem, segundo a Prefeitura. O projeto de revitalização prevê também o enterramento de 1,7 quilômetro da Avenida do Estado para dar lugar a um parque.

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