Um ano após chacina, familiares prestam homenagem a vítimas em Campinas (SP)

Crime resultou na morte de 12 pessoas; PMs são suspeitos

Lucas Sampaio, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2015 | 19h25

Atualizado às 8h20 do dia 12/1/2014

CAMPINAS – Quase um ano após a maior chacina da história de Campinas (SP), que resultou na morte de 12 pessoas na noite de 12 de janeiro de 2014, cerca de 50 familiares e amigos das vítimas fizeram carreata, prestaram homenagens e cobraram respostas do poder público na periferia da cidade.

“Eu morri com o meu filho, e os policiais não estão pagando pelo que fizeram”, disse aos prantos a doméstica Rosemeire de Cássia Giovanelli, mãe de Alex Sandro, que comemorava seu aniversário de 30 anos comendo pizza e tomando refrigerante com três amigos na porta de casa quando foram assassinados com tiros à queima roupa. “Eles são piores que bandidos, porque deveriam nos proteger.”

Cinco policiais militares chegaram a ser presos e indiciados sob suspeita de serem os responsáveis pela chacina, que ocorreu em diversos bairros do Ouro Verde, periferia de Campinas, após um policial fora de serviço ser assassinado em um posto de gasolina na região.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que seis policiais militares foram indiciados e cinco tiveram prisão preventiva pedida. Dos oito inquéritos policiais abertos para apurar os crimes, quatro estão em andamento.

A carreata percorreu a principal avenida do Ouro Verde na tarde deste domingo, dia 11, e terminou em um dos locais da chacina, onde familiares e amigos rezaram, choraram e colocaram vasos de flores no local onde os quatro rapazes estavam sentados quando foram mortos. “O sentimento é de revolta e indignação. Eu cometi um ato infracional em 2010 e fui penalizado. Quem são eles para dizer quem deve morrer ou viver?”, questiona Moisés Boccardo, primo de Patrick e Peterson, que foram assassinados junto com Alex Sandro. Moisés cumpriu quatro anos e nove meses de pena por assalto à mão armada e estava preso quando ocorreu a chacina. “Senão eu seria mais uma vítima. É essa a lei? É essa a Justiça?”, questiona.

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