Um ano após campanha, desrespeito ao pedestre rende 741 multas por dia

CET registrou 261 mil infrações no período; pedestres notam melhora, mas reclamam que motoristas ainda não param para travessia

CAIO DO VALLE , O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h02

Prestes a completar um ano, a aplicação de multas por desrespeito ao pedestre na capital já soma 261 mil autuações. Nos últimos 350 dias, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) notificou uma média de 741 motoristas por dia. O reforço na fiscalização trouxe resultados positivos. Mas ainda há falhas nas ações da Prefeitura para zelar por quem está a pé nas ruas.

A conservação de faixas de travessia é um dos problemas. Em São Paulo, não é raro que o pedestre se depare com esse tipo de sinalização desgastada. Em alguns locais, ela nem sequer existe. É o caso da esquina das Ruas Tagipuru e Doutor Alfredo de Castro, em Perdizes, na zona oeste. Embora seja muito movimentado, especialmente pela proximidade do câmpus da Uninove, o cruzamento está sem faixa de travessia ao menos desde junho.

Até nos locais onde as faixas estão pintadas, a conservação nem sempre é das melhores - isso apesar de a campanha da CET para proteção de pedestres se basear no uso e respeito às faixas.

Um exemplo é a que fica na Rua Amália de Noronha, na esquina com a Rua Capote Valente, em Pinheiros, também na zona oeste. A sinalização está bastante gasta e com remendos.

Na mesma região, na agitada intersecção da Rua Heitor Penteado com a Avenida Pompeia, na Vila Madalena, boa parte das faixas já descascou. O técnico em Informática Edson Alves dos Santos, de 24 anos, passa sempre ali. "À noite, com a pintura falha, fica difícil para o motorista que vira a esquina ver a faixa. É perigoso", afirma.

Embora faça essa ressalva, Santos acredita que a segurança dos pedestres cresceu após a campanha, iniciada em abril de 2011 ainda sem multa. O Programa de Proteção ao Pedestre tem como meta reduzir em 50% o número de mortes por atropelamento. Mas, por enquanto, a redução está muito aquém da meta. Enquanto em 2010 foram registradas 630 mortes, no ano passado esse número caiu para 617 - menos 2,1%.

Diferença. Apesar da baixa redução, a arquiteta Maria Luísa Salim, de 27 anos, diz que percebeu diferença no comportamento dos condutores. "Motoristas têm respeitado mais (o pedestre). Só que muitos ainda não dão seta quando vão fazer uma conversão." Essa é uma das seis infrações anotadas pela CET que colocam pedestres em risco.

Dobrar a esquina sem dar sinal foi uma das infrações flagradas pela reportagem na sexta-feira na confluência das Ruas Quintino Bocaiuva e Benjamim Constant, no centro. Em cinco minutos, foram nove registros do tipo apenas nesse cruzamento.

"Aqui no centro, noto que foi razoável o aumento da educação dos motoristas, mas lá onde moro, na Vila Formosa (zona leste), ainda tem muita gente desrespeitando", afirma o aposentado Norival Vaccioli, de 65 anos.

A campanha da Prefeitura teve como foco os cruzamentos centrais. As zonas mais periféricas foram as últimas a receber agentes treinados para orientar a travessia mais segura.

Monitoramento. A CET informa que, do total de 261 mil multas, 1.481 foram aplicadas por meio de câmeras. A companhia ainda divulgou que faz várias ações para "conscientizar a população sobre a importância do respeito à faixa e ao pedestre" e já "foi registrada queda nas mortes por atropelamentos" no centro, onde as multas começaram a ser aplicadas, bem como no restante da cidade.

A CET também informou que vai continuar monitorando o cruzamento das Ruas Quintino Bocaiuva e Benjamin Constant, visitado pela reportagem, assim como os locais com problemas na pintura das faixas ou mesmo sem sinalização.

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