Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Ultrassom vira arma polêmica contra latidos

Produtos emitem ruído quando cão late e só é perceptível ao animal, causando-lhe desconforto

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2010 | 00h00

Eles ainda são encontrados em poucas lojas de São Paulo, mas já têm dado o que falar. Polêmicos, os "ultrassons antilatidos" emitem um barulho perceptível apenas aos cachorros e são acionados todas as vezes em que o animal late, causando-lhe incômodo.

Amplamente disponíveis em sites internacionais, eles são uma das saídas mais comentadas entre participantes de grupos relacionados a ruídos na internet - geralmente pessoas que se sentem atormentadas pelo cachorro do vizinho e não podem estudar ou dormir direito por causa dos altos e constantes latidos. No Brasil, os aparelhos custam até R$ 400. No exterior, a média de preço é US$ 80.

De usuários, a reportagem ouviu mais elogios que críticas. Há resistência, contudo, por parte de adestradores quanto à eficiência do produto e por parte de sociedades protetoras dos animais, que afirmam que os bichos sofrem violência.  

 

 

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Uma moradora de 27 anos da região de Interlagos, na zona sul de São Paulo, conta que colocou o artefato na parede de sua casa voltado para o quintal do vizinho. O objetivo da vendedora era se livrar dos latidos de um cocker durante os fins de semana, quando está em casa. "Eu precisava fazer algo. Meu vizinho não fazia nada. Deu resultado." Ela, como os outros entrevistados, pediram para não ter o nome divulgado com medo de sofrer represálias por parte dos vizinhos.

O aparelho usado pela vendedora é de uma modalidade que emite ruído via ultrassom. Ele também é apresentado em um sistema que se assemelha a uma "cerca", localizando onde o cachorro pode latir e onde não pode. Ou por meio de uma coleira - neste caso, costuma ser adotado pelo responsável pelo animal.

Outro adepto da polêmica "arma" é um designer de 57 anos de Porto Alegre. Após sofrer durante anos com um pastor alemão, dois pitbulls e um vira-lata dos vizinhos, aderiu ao aparelho, disfarçado na janela. "Acho que ele (vizinho) acredita tratar-se de uma câmera. O bom é que agora os cães só latem de vez em quando." Em sua opinião, ruído nas cidades ou entre vizinhos é "grave" e alguns moradores não sabem respeitar o direito de não ser importunado por barulho alto o tempo todo. "Quem reclama é tido como chato", resume.

Em São José do Rio Preto, no interior do Estado, um funcionário público de 33 anos diz que também adotou o equipamento porque não havia possibilidade de diálogo com a vizinha, que tem problema de audição e não se importa com o latido de seu poodle. "Nem argumentei, preferi importar o aparelho."

Mas há gente também que diz não ter notado resultado positivo - em parte dos casos, porque o cão se acostumou ao barulho. A frustração vem de quem mora em condomínio, já que o aparelho não funciona se há barreiras entre a fonte e o animal.

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