Última vítima é cremada com homenagens

Um dia depois de mais de 4 mil pessoas acompanharem os enterros de 11 vítimas do massacre da Escola Municipal Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio, familiares e amigos despediram-se ontem da última estudante assassinada em uma cerimônia reservada. O corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, foi velado no Memorial do Carmo, no Caju, até o início da manhã, quando foi cremado na presença de cerca de 20 pessoas.

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2011 | 00h00

A menina foi a última vítima do atirador Wellington Menezes de Oliveira a ser reconhecida pela família, que percorria os hospitais que atendiam feridos da chacina na quinta-feira enquanto o corpo dela já estava no Instituto Médico-Legal (IML). A dura tarefa do reconhecimento coube ao pai, Raimundo da Silva, que, muito emocionado, não quis dar entrevistas ontem e pediu que os parentes fizessem o mesmo. Pai de outros quatro filhos, disse apenas que queria guardar a imagem dos olhos claros da filha e que nada poderia amenizar sua dor.

A pedido da família, a imprensa não teve acesso à capela do velório, onde foi realizado um culto evangélico na noite de sexta-feira. No crematório, a mãe, Ana Luiza, parecia chorar muito. A família despediu-se da menina com orações e hinos religiosos. Eles deixaram o local após rápida cerimônia.

Os familiares usaram camisetas brancas com a foto de Ana Carolina estampada sob os dizeres "saudades eternas". A homenagem foi organizada pela irmã mais velha da menina, que aparece sorrindo na foto com a camisa do Flamengo, durante uma partida que assistiu no Engenhão.

"É assim que tem de ficar a imagem dela, não essa coisa horrível que esse monstro fez", afirmou um homem que disse ser padrinho da menina, mas não quis se identificar. "Ela era muito sapeca, feliz, falava em ser modelo, mas nem teve tempo de pensar no futuro."

Na manhã de ontem, dez estudantes feridos no massacre permaneciam internados em seis hospitais do Rio - três deles em estado grave. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, percorreu algumas das unidades e visitou algumas vítimas. As famílias de estudantes envolvidos na tragédia começaram a receber acompanhamento psicológico domiciliar.

Ninguém reconheceu. O corpo de Wellington Menezes de Oliveira, o atirador que, segundo a polícia, se matou após ser alvejado por um policial, permanecia ontem no IML. Nenhum familiar apareceu para reclamar o corpo que, em uma situação normal, poderia ser enterrado como indigente após 72 horas. A polícia, no entanto, aumentou esse prazo para 15 dias, em razão do possível constrangimento da família de Wellington. A casa onde ele morou em Realengo foi pichada ontem com as palavras "assassino" e "covarde".

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