UFMG corta R$ 30 mi do orçamento e atrasa contas

Alunos relatam sujeira, falta de segurança e de materiais; na UFBA, em Salvador, parte dosterceirizados está parada

LEONARDO AUGUSTO , ESPECIAL PARA O ESTADO, BELO HORIZONTE, TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2015 | 02h02

Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reclamam que, com a redução de recursos do governo federal para a educação, os banheiros dos prédios estão mais sujos, a segurança foi reduzida no câmpus da Pampulha, região norte de Belo Horizonte, e falta material para pesquisa e atendimento de pacientes sob supervisão de professores em laboratórios de cursos de Farmácia e Odontologia.

Em março, a escola anunciou corte de R$ 30 milhões no orçamento anual, por causa da contenção de repasses da União. Contas de água e luz não foram pagas.

A estudante de Farmácia Natália Diniz, de 19 anos, reclama que os alunos são obrigados a usar reagentes vencidos para os experimentos. "Isso interfere nos resultados", afirma. A aluna relata ainda que uma das portarias do prédio em que estuda foi fechada, depois que a escola reduziu o quadro de vigilantes terceirizados. "Agora temos de andar muito mais para chegar ou sair das salas", diz. Ela acrescenta também que há casos de roubos de mochilas. "Escaninhos de alunos chegaram a ser arrombados."

O estudante de Odontologia Victor Coutinho Bastos, de 18 anos, também cita a falta de segurança como um dos principais problemas enfrentados. "Aumentou o número de assaltos no câmpus", diz o aluno. "Outro problema são os banheiros, que estão mais sujos. Antes, a limpeza era diária. Agora, só de dois em dois dias."

No curso de Victor também falta material de laboratório. "Há dois meses não temos vaselina", diz Raissa Kelly Moreira Silva, de 21 anos, também aluna de Odontologia. A estudante afirma que a escola já ficou sem fazer cirurgias nos pacientes atendidos sob orientação de professores por falta de gaze.

No Departamento de Educação Física o problema é a falta de material de escritório para emissão de documentos à comunidade acadêmica, conforme a aluna Raihane Barbosa, de 22 anos. "Alguns colegas tiveram dificuldades em pegar comprovantes de matrícula", diz.

Em nota, a reitoria da UFMG afirmou ter decidido "preservar todos os projetos acadêmicos e pagamento de bolsas, mesmo diante do cenário de restrição orçamentária e financeira", e ressalta que "os cortes afetaram setores terceirizados e provocaram o adiamento do pagamento das contas de água e luz, mas o fornecimento foi mantido". A reitoria nega a falta de materiais para laboratórios.

Salvador. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) enfrenta desde terça-feira a paralisação de parte dos funcionários terceirizados. Afetando os setores de limpeza, de administração e de portaria de algumas faculdades, a paralisação foi motivada pela falta de pagamentos dos salários aos funcionários da Líder Recursos Humanos, uma das 20 empresas contratadas pela instituição.

A empresa não comentou os atrasos, mas a UFBA informou, em nota, que "reconhece as dificuldades pelas quais passam os terceirizados". De acordo com a reitoria, ainda assim, o cronograma de aulas está sendo cumprido. Há paralisações também em universidades estaduais.

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