Twitter faz PM mudar blitze da lei seca

Estratégia é encurtar operações para evitar troca de informações; comunidade tinha 60 avisos no fim de semana

Pedro Marcondes de Moura, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

A troca de informações pelo Twitter sobre os pontos de São Paulo que recebem blitze da lei seca fez a Polícia Militar mudar de estratégia. As fiscalizações, que ficavam uma hora e meia paradas realizando testes do bafômetro, passam agora, no máximo, uma hora na mesma rua ou avenida.

Só com a redução do tempo das inspeções foi possível driblar a velocidade da informação e surpreender pessoas alcoolizadas. "Não podemos nunca perder o fator surpresa nas operações", explica o capitão Paulo Sérgio de Oliveira, do Comando de Policiamento da Capital (CPC). Se necessário, o tempo das blitze em cada local poderá ser reduzido para 45 minutos. A PM já havia mudado o modelo do teste, para acelerar o processo e fiscalizar mais. Agora, o motorista não precisa sair do carro para soprar o bafômetro.

Intitulada "Twitter da lei seca SP", a comunidade recebeu apenas no último fim de semana mais de 60 mensagens. Entre elas, o endereço de 18 operações da PM. A página, aberta ao público, conta ainda com um tutorial explicando os principais termos usados nos recados postados e até um código de conduta. "Seguidor que comunicar alguma informação falsa será excluído da comunidade", alerta.

Sem querer se identificar, um dos responsáveis pela atualização do site diz que, sempre ao constatar a presença de "bols" - nome que dão às blitze da lei seca -, disponibiliza rapidamente a informação na comunidade. O envio é feito da rua mesmo, por meio de celulares com acesso à internet. Apesar de alegar não ingerir bebidas alcoólicas, ele diz que informa os outros por uma questão de princípio. "Não acho correto a pessoa não poder dirigir só porque bebeu uma cerveja. A polícia deveria ter mais com o que se preocupar", diz.

Já a publicitária Juliana Morganti, de 23 anos, admite acessar à página na hora de decidir se vai dirigindo, de carona ou de táxi a um bar. "Sei que não está certo a pessoa dirigir embriagada", reflete Juliana, que diz sair de carro quando pretende beber "apenas umas cervejas" perto de casa.

Dentro da lei. Segundo o capitão Oliveira, a divulgação das operações policiais por si só não configura num crime. "O cidadão tem por lei o direito de se comunicar. O que acontece nestes casos é apenas uma postura anticívica."

Essa não é a primeira alternativa para driblar a lei seca. Em novembro de 2008, a reportagem flagrou empresas de valets, na Vila Madalena, orientando clientes, por rádio e celulares, sobre o posicionamento das blitze.

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