Tutty Humor

A última do português

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2011 | 00h00

Parece piada! Se a ideia era combater o preconceito linguístico, deveriam ter esperado um pouco mais para lançar o tal livro didático que faz apologia do erro de concordância.

O discurso que antecedeu Dilma Rousseff no Palácio do Planalto ainda estava vivo demais na memória do brasileiro quando o MEC saiu em defesa do direito singular de articular o plural em desacordo com a gramática do tempo de FHC.

Resultado: o direito de andar por aí dizendo "os livro" - para usar um exemplo da publicação na berlinda - está sendo exaltado nas redes sociais como um legado da era Lula. Puro preconceito!

O papo seria outro se tivessem levantado a discussão quando Caetano compôs Rock"n" Raul ("E hoje olha os mano"), ou, antes disso, na época em que tocava no rádio "A gente somos inútil". O Ultraje a Rigor cantava "a gente não sabemos escolher presidente" e ninguém ligava o verso à pessoa.

No tempo em que o Lula ainda não era piada pronta, tolerava-se o erro intencional de português como figura de linguagem pela qual, ensina o Houaiss, "a concordância das palavras na frase se faz segundo o significado, e não de acordo com as regras da gramática". Hoje em dia, ninguém sabe nem o que é "silepse", né não?

Língua dos homens

"QUEM ESCREVE CERTO - E, MESMO ASSIM, POR LINHAS TORTAS - É DEUS!"

Fernando Haddad, ministro da Educação

Meritocracia

Antonio Palocci cogitou ontem deixar o governo Dilma. Parece que abriu uma vaga boa no FMI. Se a Europa está atrás de alguém capaz de fazer o dinheiro se multiplicar...

Corrida do ouro

Continua desaparecida a caixa-preta de Dominique Strauss-Kahn. As buscas na França estão divididas entre os grupos políticos de Nicolas Sarkozy e da extrema direita. Quem primeiro encontrá-la ganhará as eleições presidenciais do ano que vem.

Fase de crescimento

ACM Neto estreou um belo salto carrapeta novo para crescer pra cima do Palocci no Congresso. Virou um gigante da moralidade!

Nova frente

Os marqueteiros de Jair Bolsonaro estão incentivando o deputado a dar uma passadinha na Marcha da Maconha programada para a manhã deste sábado, a partir do vão livre do Masp. Argumentam que o movimento gay já deu o que tinha que dar.

Eu, hein!

Não dá para entender as razões que levaram o cineasta dinamarquês Lars von Trier a dizer em entrevista coletiva que compreendia as razões de Hitler. Mais surpreendente,

francamente, só se ele estuprasse a camareira de seu hotel em Cannes.

Qual o problema?

Policiais cariocas estão confusos. Num dia, o governador ordena que soltem a franga na Parada Gay;

no outro, a Secretaria de Segurança ameaça punir o agente que posou para fotos usando dois colares de algemas cruzados no peito ao escoltar uma prisioneira loura. Eu, hein!

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