Tutty Humor

Tragédia pastelão

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2010 | 00h00

A política brasileira atravessa agora aquela fase desagradável, que o cinema nacional graças a Deus superou, de carência absoluta de bons roteiros em cartaz. As coisas acontecem, ninguém entende muito bem por que - nem pra quê! - e, não raro, perde-se a compreensão dos diálogos. O debate na atual campanha eleitoral parece um filme brasileiro dos anos 1970. Lembra?

Tudo soa falso em cena: o mocinho, o bandido, a motivação do crime, a lógica da ação, o tom da reação, o clímax, o anticlímax e qualquer tentativa de final feliz. Falta, se não verossimilhança, imaginação na carpintaria do argumento que deu origem à trama da quebra de sigilos em série na Receita Federal. A história é boa, mas sua dramaturgia política, de péssima qualidade.

Será que não há chance, ainda que remota, desses aloprados serem tão-somente aloprados? Quiçá reunidos numa ONG destinada a disseminar lambanças para constranger autoridades responsáveis a jurar jamais cometê-las no exercício do poder público.

Qualquer comédia terá mais chance de agradar ao eleitor, cansado do gênero trágico-pastelão da política brasileira. Todo mundo já viu este filme. Acaba sempre em pizza, né?!

Clima de já ganhou!

"Quando a umidade do ar estiver passando dos limites, é só avisar que a gente manda parar a chuva, ok?"

SÉRGIO CABRAL, EM CORPO A CORPO COM O ELEITOR CARIOCA NA MANHÃ CHUVOSA DE ONTEM, NO RIO. À TARDE FEZ SOL!

A fila andou

Primeiro foi a filha, depois o genro... Já tem prima do José Serra apavorada por aí! Será que esses aloprados violaram sigilos de toda a família?

Nem aí!

Feliz é o Gilberto Kassab, que não tem filha nem genro para lhes quebrarem o sigilo.

Morto-vivo

Se até o New York Times já admite publicamente o fim de sua versão papel, o Jornal do Brasil continua de certa forma à frente de seu tempo.

Essa não!

Até o fechamento desta edição, a Receita Federal não havia confirmado qualquer tentativa de violação do sigilo fiscal da Soninha Francine! E não se fala mais nisso, ok?

Será?

O ministro Celso Amorim disse a amigos que o pastor evangélico Terry Jones só desistiu de tocar fogo no Alcorão depois de uma conversa por telefone com o presidente Lula.

Mal comparando

Tom Brady, o astro do futebol americano casado com Gisele Bündchen, envolveu-se num acidente de carro sem gravidade, ontem, de manhã cedinho. Tiger Woods, o astro do golfe americano, começou assim!

Boato infame

Nem passou pela cabeça do Lula fazer um pronunciamento ontem à nação para comunicar oficialmente o nascimento de Gabriel, o netinho da Dilma Rousseff!

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