Turistas fazem Anhangabaú viver dia de 'Hyde Park'

Torcedores de mais de 20 nacionalidades tomaram o lugar; holandeses fizeram piquenique no gramado

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2014 | 15h07

Com seus jardins limpos e tomados por torcedores de mais de 20 nacionalidades, o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, viveu ontem seu momento Hyde Park, o parque londrino famoso por receber festivais de música que reúnem gente do mundo todo. Holandeses faziam piquenique no gramado e chilenas confraternizavam com iranianos em uma área onde, nos dias comuns, paulistanos precisam desviar do lixo e de grupos de usuários de crack.

No segundo dia da Fan Fest na capital paulista, a festa oficial da Fifa, passaram pelo Anhangabaú idiomas e cores de tantos países em clima amistoso e festivo. Elas transformaram um dos antigos cartões-postais da cidade, inaugurado em 1910 e tão degradado nas últimas três décadas, em um espaço livre, tranquilo e com clima de parque europeu. Eram raros até os moradores de rua e carroceiros que vivem na região.

Durante todo o dia, mexicanos foram a maioria na festa. E também os mais festivos. Um mar verde tomou conta das ruas do centro momentos antes da partida contra Camarões. A alegria dos mexicanos encontrou sintonia com os brasileiros, que passaram a torcer pela equipe. “O povo mexicano é louco pelo Brasil, todo mundo sonha em vir para cá. Acho que é por isso essa euforia”, contou a estudante intercambista da USP Valeria Baesa, de 22 anos, mexicana de Chihuahua, há quatro meses no Brasil. Com bandeiras, vuvuzelas e alguns vestidos de Chapolim, o herói do seriado mexicano, os grupos de verde também conquistaram a simpatia de ingleses, chilenos, croatas e holandeses.

Ulisses Roldan, de 28 anos, da cidade de Leon, estava com as malas prontas para Fortaleza, onde o México enfrentará o Brasil no dia 17. Outros grupos de estrangeiros levaram malas para o Anhangabaú, antes de partirem para outras cidades. “Queria ver esses gringos passando com essas malonas aqui no meio do vale durante uma semana comum”, brincou o despachante Carlos Rodrigues, de 42 anos, que usava uma camisa da Espanha e trabalha no centro.

Rodrigues e outros paulistanos estavam deslumbrados com tanta gente diferente e com os idiomas. Muitos tentavam falar em português mesmo com croatas e holandeses. Adolescentes tentavam puxar conversa de futebol com espanhóis, mas desistiam após poucos minutos, sem entender nada do que os gringos falavam.

Os jovens que foram em busca de azaração com os estrangeiros também se disseram decepcionados. “Esses holandeses são lindos, mas parecem que não sabem chegar nas mulheres”, disse Natalia dos Santos, de 18 anos.

No início da noite, a festa mexicana deu lugar ao laranja dos holandeses. Após a goleada contra a Espanha, os holandeses exibiam danças típicas em roda no meio do Anhangabaú. “O Brasil é muito legal, isso aqui é demais. Todo mundo aqui se sente muito bem vindo”, disse a holandesa Rienhe Kolthof, de 22 anos, de Ultrecht. Ela festejava muito, de cara pintada, com a amiga Julie Sierchel, de 22, de Maastricht. 

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