Turismo-cabeça

Universitários trocam lazer nas férias por missões estudantis no exterior, para depois vitaminar suas carreiras

Fernanda Fava, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Idioma. Natasha Leão (esq.) foi praticar mandarim na China

 

Para muitos universitários brasileiros, viajar para o exterior nas férias deixou de ser sinônimo de lazer. Em missões estudantis organizadas por universidades e agências especializadas, eles têm embarcado no turismo do conhecimento. Em lugar de souvenirs, voltam com uma bagagem cultural que pode ser aplicada em áreas como negócios e diplomacia.

 

A Faap, por exemplo, organiza desde 2007 missões nas quais alunos já visitaram empresas e instituições nos Estados Unidos, Europa e Emirados Árabes. "Não é passeio", diz o idealizador do projeto, Luiz Alberto Machado. "Eles vestem terno e gravata, roupa social e precisam ser pontuais. Tudo isso para simular a cultura de negócios."

 

Lina Martins, de 21 anos, estava no 2º semestre de Administração quando conheceu os Emirados Árabes, em 2008. "Vimos como funcionam as reuniões de negócios e de que modo as empresas brasileiras atuam no mercado externo."

 

Os alunos de Relações Internacionais visitaram, em 2008, a sede da ONU e outras organizações em Nova York e Washington. Para Isabela Guilen, de 20, foi a oportunidade de fazer escolhas. "Tivemos uma visão mais ampla das instituições, para cada um decidir o que vai seguir."

 

Outra lição trazida na bagagem pelos estudantes é a necessidade de levar em conta as diferenças culturais. "Em Abu Dhabi é considerado uma ofensa a sola do pé aparecer quando você cruza as pernas", diz Lina.

 

"Na China, você deve entregar seu cartão de visita com as duas mãos", conta a estudante Daniela Margiota, de 23 anos, que faz Administração na ESPM e passou um mês em Pequim graças a um programa de intercâmbio da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE).

 

Alunos ou recém-formados em Letras, RI e Economia também costumam participar desse intercâmbio. "Já estudava mandarim havia dois anos, mas nos primeiros dias quase não conseguia me comunicar", diz Natasha Leão, de 25, formada em Letras na USP.

 

O engenheiro Igor Benedetto, de 27, aproveitou a viagem para fazer contatos em sua área, o mercado financeiro. "Quero voltar lá para fazer mestrado lá e manter o meu mandarim em dia", afirma.

 

Esse interesse dos estudantes e recém-formados começa a atrair a atenção das agências de turismo. "A procura de universitários está crescendo, seja por iniciativa deles ou da faculdade", diz Alexandre Cymbalista, dono da agência Latitudes. / COLABOROU CAROLINA STANISCI, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

Duas viagens para aprender

 

Intercâmbio em Pequim

- Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico

 

Geopolítica da Ásia Central e a Influência Russa

- Agência Latitudes

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