Túnel nem saiu, mas já movimenta Jabaquara

De olho na valorização que obra pode causar, empresas tentam comprar imóveis

LUISA ALCALDE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h01

Pelo menos dois anos antes de ficar pronta - segundo previsão da Prefeitura -, a obra que vai ligar por túnel a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes já causa especulação na zona sul. O que tem chamado a atenção do mercado é a construção de um parque de 638 mil m² (veja ao lado).

O dono de uma casa com terreno de 900 m² na Rua Artemis, na Vila Babilônia, região do Jabaquara, já foi visitado nos últimos quatro meses por dois especialistas em compra de áreas para empreendimentos imobiliários. A última foi há duas semanas. Quando a obra terminar, o imóvel ficará na frente do futuro parque. Uma das propostas teria sido de R$ 1,5 milhão, outra de R$ 400 mil.

Donos de imóveis nas Ruas Itaciba e Ipaobi tambhém estão sendo procurados. Receberam, por exemplo, carta da G. Terry Associados apresentando-se como uma empresa em busca de terrenos, a serviço de uma grande empreiteira. Ou foram abordados pelo próprio Jorge Terry, dono da G. Terry.

É o caso da vendedora Gilda Jussara de Siqueira, de 53 anos. "Em um domingo de manhã, estava de saída e me abordaram. Mas, como o corretor disse que só estava interessado no terreno, nem continuei a conversa." O soldador Isak Luiz da Silva, de 39 anos, cujo irmão é dono de oficina mecânica na Ipaobi, também recebeu a visita. "Mas meu irmão disse que não estava interessado."

Pesquisa. Terry afirma ter começado a visitar a região há quatro meses. Ele busca áreas que juntas somem pelo menos 4 mil m² para uma empreiteira interessada em construir prédios. Segundo sua avaliação, o m² na área vale de R$ 800 a R$ 1 mil.

"Que a região vai melhorar após a obra vai. Penso em uma valorização para empreendimentos de médio padrão, como ocorreu no Tatuapé ou Vila Carrão", explica. "Mas é um tiro no escuro. Se a obra vingar, a intenção é construir apartamentos de até R$ 200 mil. Se não, moradias populares." O corretor teve alguns retornos de moradores, mas, segundo ele, não há negócio concretizado.

Mercado. Diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia considera natural o interesse imobiliário em regiões onde são anunciadas obras públicas. "Se o empreendimento contemplar praça e parque então, a valorização é expressiva."

Ele diz, no entanto, que pedir R$ 2,5 mil pelo m² na região pensando em valorização futura é um exagero. "Mas também oferecer R$ 400 é muito pouco."

O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Cláudio Bernardes, também considera o interesse normal. "Sempre que são anunciadas obras de praças ou estações de Metrô há grande interesse do mercado em função de investimentos públicos que revitalizarão esses locais.

Um exemplo foi a construção da Avenida Luis Carlos Berrini. Há 40 anos, o local era área de brejo e os terrenos não valiam quase nada, segundo ele. "Depois o valor mais que quintuplicou." Ele dá um conselho: "Quem puder esperar deve aguardar para fazer negócio porque conseguirá melhor preço."

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