Tumulto em túnel de conexão entre as Linhas 2 e 4 do Metrô deixa 20 feridos

Lotação. Problema entre as Estações Paulista e Consolação começou quando uma esteira parou, segundo a ViaQuatro; usuários caíram, bloqueando a passagem e derrubando as divisórias. À noite, quatro mulheres ainda eram atendidas no Hospital das Clínicas

Bruno Ribeiro e Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2013 | 02h13

Um tumulto dentro do túnel de conexão entre as Estações Paulista (da Linha 4-Amarela) e Consolação (da Linha 2-Verde) do Metrô, às 8h05 desta quarta-feira, 4, deixou passageiros em pânico. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas e precisaram de socorro médico - 16 delas tiveram de ser encaminhadas para o Hospital das Clínicas e para a Santa Casa, ambos na região central de São Paulo.

Assustados com a correria dentro do túnel estreito, os passageiros buscavam rotas de fuga, chegando à plataforma da Estação Consolação e ao mezanino da Estação Paulista. Os feridos foram pisoteados. Entre os 16 socorridos, havia duas grávidas. As vítimas tiveram escoriações e nenhuma delas corria risco de morte. À noite, quatro feridas, todas mulheres, ainda passavam por exames, segundo o Hospital das Clínicas.

Conforme a ViaQuatro, empresa privada que administra a Linha 4-Amarela, o tumulto começou depois que uma das esteiras rolantes instaladas no túnel parou repentinamente. Os usuários caíram uns sobre os outros, parando o fluxo de passageiros. Segundo a companhia, o sistema é desligado quando há grande número de pessoas no túnel - ontem, porém, a esteira quebrou. A empresa afirma que levou os feridos para os hospitais em viaturas próprias.

Por causa da confusão, os suportes dos cordões que separam o fluxo de passageiros caíram, o que fez muita gente pensar em tiroteio. A Polícia Militar chegou a ser chamada. "Eu estava já perto da escada rolante, para sair pela Estação Paulista, quando as pessoas de trás vieram correndo, dizendo que era um tiroteio. Os seguranças, na minha frente, pediam calma e tentavam conter todo mundo, mas a gente ignorou. As pessoas correram na escada rolante, com as mulheres perdendo os sapatos", conta o analista Rafael Resende, de 24 anos.

Histórico. A situação é exatamente igual à ocorrida em janeiro, quando um tumulto também fez as pessoas acreditarem que havia um tiroteio e 11 passageiros ficaram feridos.

Na ocasião, o promotor público de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes abriu um inquérito civil para apurar a segurança da passagem subterrânea. "Requisitei informações para a ViaQuatro hoje (ontem) por causa dessa nova confusão", disse o promotor. "Acredito que ali será preciso fazer uma forte campanha educativa para orientar os passageiros, porque a solução para a superlotação só chegará quando houver expansão da rede. Conforto, o Metrô não tem. Mas é preciso segurança", afirmou Lopes.

Nova saída. As Estações da Luz, no centro, e Pinheiros, na zona oeste, que fazem conexão do metrô com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), também já registraram tumultos parecidos neste ano. O Metrô tem um uma proposta para construir uma nova saída de passageiros no complexo que abriga as duas estações. Ela seria na Rua Bela Cintra, entre as duas paradas. Entretanto, a empresa não tem prazo para o início da obra nem previsão de quando ficará pronta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.